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Como falar sobre conflitos com crianças?

Como falar sobre conflitos com crianças?

À medida que o mundo acompanha vários conflitos que marcam a atualidade, muitos pais e educadores questionam-se se devem abordar o assunto com as crianças e, se sim, como fazê-lo.

A resposta depende da idade da criança, da sua maturidade, grau de desenvolvimento, da probabilidade de ouvirem por outras fontes ou relação familiar com o conflito.

Para crianças mais pequenas, com menos de 7 ou 8 anos, o assunto pode não ser abordado, caso não tenha impacto direto na sua vida. Contudo, se considerar que a criança pode ouvir falar sobre o tema por outras pessoas ou noutros contextos, pode ser importante que os pais/cuidadores sejam os primeiros a abordar estes temas com os filhos.

Com adolescentes, é importante que esteja disponível para ouvir e falar, contribuindo para que se sintam seguros e cresçam como cidadãos atentos, críticos e responsáveis, com espírito democrático.

Se pretender falar com crianças ou jovens, deve, primeiro, sentir-se preparado para o fazer. Tente estar informado.

 

Na conversa com os mais novos, pode considerar:

1. Fazer uma pergunta e estar disponível para ouvir

Comece por fazer uma pergunta. A partir das suas palavras, poderá começar a compreender o que é que as crianças ouviram ou sabem, e que conceções podem estar a construir.

Ajude a processar o momento e clarifique mal-entendidos ou informações imprecisas.

Ouvir pode ser mais importante do que falar.

2. Ser claro/a e honesto/a

Responda às perguntas de forma clara, real e ponderada. Tenha em conta a idade da criança e quanto é que poderá compreender. A informação a partilhar deve ser limitada, sem pormenores.

Oriente a conversa naquilo que quer que a criança se lembre ou sinta, como segurança e esperança. Tente demonstrar que há muitas pessoas que querem a paz e que tudo estão a fazer para que tal aconteça.

3. Apoiar e validar sentimentos

Esteja atento/a a sinais de ansiedade, antes e depois da conversa. A criança pode sentir medo ou estar confusa. Dê-lhe espaço para partilhar como se sente e mostre-lhe que a apoia. Relembre-a que se preocupa e que pode falar consigo sempre que precisar.

Esteja disponível. Ouça-as quando partilharem o que sentem. Aceite e normalize o modo como se sentem e dê-lhes apoio. Reforce que estão seguros.

4. Evitar o consumo excessivo de informação

As crianças estão expostas a informação sobre a guerra. As imagens na televisão podem ser difíceis de processar. Se o perturba, poderá também perturbar as crianças. Considere limitar o tempo durante o qual assistem à televisão e, por consequência, ao sofrimento que é transmitido.

Com adolescentes que usam as redes sociais ou simplesmente estão na Internet, é importante estar atento à informação a que estão expostos. Se partilharem informações que não lhe parecem verdadeiras, sugira que procure a fonte das mesmas para saber se é fidedigna. Dessa forma, está a incentivar o pensamento crítico. É importante que os pais e cuidadores possam apoiar as crianças a pensar criticamente sobre a origem da informação e o que pensam sobre o assunto.

5. Educar para a paz

Reforce a importância de usar as palavras para resolver conflitos e ensine às crianças que a violência nunca deve ser a resposta. Valorize e incentive o respeito, a tolerância, solidariedade e evite estereótipos.

 

Na Plataforma de Recursos UNICEF disponibilizamos algumas atividades para crianças e jovens para ajudar a trabalhar este tema. Os recursos são gratuitos. Clique aqui para aceder