Semana do Aleitamento Materno - Um alicerce para a vida
LISBOA
27 set 2018
Semana do Aleitamento Materno arranca com conferência sobre os benefícios da amamentação como um dos principais alicerces para a saúde do bebé desde a primeira hora
Mais de 84% dos bebés portugueses são amamentados na primeira hora de vida
“Aleitamento Materno – Um alicerce para a vida” é o tema da Semana do Aleitamento Materno, que em Portugal se assinala de 1 a 5 de Outubro. O arranque da Semana acontece já no dia 28 de Setembro com a Conferência Internacional de Aleitamento Materno 2018, no Porto, que tem o mesmo mote como base e que conta com a participação de mais de 200 profissionais de saúde portugueses e especialistas nacionais e internacionais.
Estarão em análise na conferência os desafios colocados pelas desigualdades, crises e pobreza que marcam a actualidade global, destacando-se o papel do aleitamento materno como um dos mais importantes alicerces para uma boa saúde ao longo da vida das crianças e das mães. Os recém-nascidos que são amamentados na primeira hora têm benefícios insubstituíveis. Em Portugal, 84,1% dos bebés são amamentados durante a primeira hora após o nascimento*. Esta percentagem é superior nos hospitais e maternidades Amigos dos Bebés (86,1%).
A nível global, o cenário é diferente, estimando-se que três em cada cinco bebés - ou 78 milhões - não são amamentados na primeira hora de vida, o que os coloca em maior risco de morte e doença** e os deixa menos aptos a serem amamentados mais tarde, segundo o relatório “Capture the moment” publicado pela UNICEF e pela OMS em Agosto. A grande maioria destes bebés nasce em países de baixo e médio rendimento.
“A má nutrição, a insegurança alimentar e a pobreza afectam milhões de pessoas em todo o mundo e travam o desenvolvimento sustentável. Apesar dos progressos, muito há ainda a fazer para preencher a lacuna existente entre as políticas de fomentação ao aleitamento materno e a sua implementação,” diz Ana Jorge, Presidente da Comissão Nacional Iniciativa Amiga dos Bebés. “A amamentação deve ser considerada como parte essencial de uma boa nutrição, da segurança alimentar e da redução da pobreza. Para além dos benefícios para a saúde, o impacto económico da amamentação é igualmente pertinente no combate às desigualdades socioeconómicas, uma vez que contribui para a redução das disparidades,” conclui.
Ana Jorge sublinha também que o aleitamento materno é ainda um exemplo das ligações entre a saúde humana e os ecossistemas, na medida em que o leite materno é um alimento natural, renovável que é ambientalmente seguro e ecológico porque é produzido e entregue ao consumidor sem contaminação, sem embalagem ou desperdício
A CNIAB/UNICEF apela aos governos, sector privado e sociedade civil para que sejam implementadas várias medidas de apoio aos recém-nascidos:
- Aumentar o financiamento e a consciencialização para elevar as taxas de amamentação desde o nascimento até os dois anos de idade (amamentação em exclusivo até aos 6 meses e conjuntamente com a alimentação complementar até aos 2 anos, preferencialmente);
- Estabelecer medidas legais sólidas que regulamentem a comercialização de substitutos do leite materno, assim como de biberons e tetinas;
- Promulgar uma licença familiar remunerada e implementar políticas de amamentação no local de trabalho, incluindo intervalos remunerados para amamentar;
- Implementar os dez passos para o sucesso do aleitamento materno em hospitais e maternidades e fornecer leite materno para recém-nascidos doentes;
- Garantir que as mães recebam aconselhamento especializado em amamentação nas unidades de saúde e, em especial, durante a primeira semana após o parto;
- Fortalecer a relação entre as unidades de saúde e as comunidades que servem, para que as mães possam ter apoio contínuo durante a amamentação;
- Melhorar os sistemas de monitorização destinados a supervisionar as melhorias nas políticas, programas e práticas de amamentação.
* Dados mais recentes RAM Mamamater, DGS (2014);
** Estudos anteriores, citados no relatório UNICEF/OMS “Capture the moment”, mostram que os recém-nascidos que começaram a ser amamentados entre duas a 23 horas após o nascimento tiveram um risco maior de morrer (33%) do que aqueles que começaram a ser amamentados na janela da primeira hora após o nascimento. Entre os recém-nascidos que começaram a ser amamentados um dia ou mais após o nascimento, o risco foi mais de duas vezes maior.
Nota: Programa da Conferência disponível aqui.
Acerca da UNICEF
A UNICEF trabalha em alguns dos lugares mais difíceis do mundo, para chegar às crianças mais desfavorecidas. Presentes em 190 países e territórios, trabalhamos para todas as crianças, em qualquer parte, para construirmos um mundo melhor para todos.
A UNICEF é a única organização da ONU que não recebe qualquer financiamento das Nações Unidas, e depende inteiramente de contribuições voluntárias.
Para saber mais sobre a UNICEF e o seu trabalho para as crianças, visite: www.unicef.pt
Acerca da Comissão Nacional Iniciativa Amiga dos Bebés e da Iniciativa Amiga dos Bebés
A Comissão Nacional Iniciativa Amiga dos Bebés (CNIAB), criada pela UNICEF Portugal em 1992, é constituída por um grupo de profissionais de saúde de várias áreas que, a título voluntário, desenvolvem um conjunto de acções para a promoção do aleitamento materno no nosso país. Em 2016, foi adoptada a designação Iniciativa Amiga dos Bebés devido ao alargamento do âmbito da sua intervenção. O objectivo fundamental da Iniciativa é a promoção do aleitamento materno de acordo com as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) e da UNICEF: em exclusivo até aos 6 meses e conjuntamente com a alimentação complementar até aos 2 anos, preferencialmente. Saiba mais aqui.
Para mais informação, é favor contactar:
- Vera Lança, UNICEF Portugal, Tel: 21 317 75 00, vlanca@unicef.pt
- Francisca Oliveira, UNICEF Portugal, Tel: 21 317 75 00, foliveira@unicef.pt