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O impacto de cinco anos de guerra nas crianças da Síria

O impacto de cinco anos de guerra nas crianças da Síria

01 mar 2016

Cerca de 3.7 milhões de crianças – 1 em cada 3 crianças sírias – nasceram depois do início do conflito há cinco anos, o que significa que as suas vidas têm sido moldadas pela violência, pelo medo e pelas deslocações, segundo um relatório da UNICEF. Este número inclui mais de 151.000 crianças nascidas como refugiadas desde 2011. No total, a UNICEF estima que cerca de 8.4 milhões de crianças, ou seja mais de 80 por cento da população infantil síria, estão actualmente afectadas pelo conflito no interior do país ou como refugiadas.

1 em cada 3 crianças sírias viveram os seus primeiros anos de vida, conhecendo apenas a crise provocada por um conflito que completa 5 anos

Cerca de 3.7 milhões de crianças – 1 em cada 3 crianças sírias – nasceram depois do início do conflito há cinco anos, o que significa que as suas vidas têm sido moldadas pela violência, pelo medo e pelas deslocações, segundo um relatório da UNICEF. Este número inclui mais de 151.000 crianças nascidas como refugiadas desde 2011. No total, a UNICEF estima que cerca de 8.4 milhões de crianças, ou seja mais de 80 por cento da população infantil síria, estão actualmente afectadas pelo conflito no interior do país ou como refugiadas. 

Segundo o relatório sobre os cinco anos de conflito na Síria“No Place For Children” (Um local que não é para crianças), a UNICEF verificou 1.500 violações graves praticadas contra crianças. Mais de 60 por cento destas violações foram casos de morte e mutilação resultantes do uso de explosivos em zonas de habitação. Mais de um terço destas crianças foram mortas na escola ou a caminho desta.

Nos países vizinhos da Síria, o número de refugiados é actualmente quase 10 vezes superior ao de 2012. Metade de todos os refugiados são crianças. Mais de 15.000 crianças não acompanhadas ou separadas das suas famílias atravessaram as fronteiras da Síria. 

“Nestes cinco anos de guerra, milhões de crianças cresceram demasiado depressa e antes do tempo,” afirmou o Dr. Peter Salama, Director Regional da UNICEF para o Médio Oriente e Norte de África. “Com a continuação do conflito, as crianças continuam à mercê de uma guerra de adultos, continuam a não ir à escola, muitas vêem-se obrigadas a trabalhar e muitas raparigas casam precocemente.”

Nos primeiros anos do conflito, a maioria das crianças recrutadas pelos exércitos e grupos armados eram rapazes entre os 15 e os 17 anos de idade, e eram usados sobretudo em funções longe das linhas da frente. Porém, desde 2014, todas as partes envolvidas no conflito têm recrutado crianças muito mais novas – algumas com apenas sete anos – e frequentemente sem o consentimento dos pais. Mais de metade dos casos de crianças recrutadas em 2015 que foram verificados pela UNICEF envolviam crianças menores de 15 anos. Em 2014, esta percentagem era de 20 por cento. Estas crianças recebem treino militar e participam em combates, ou são encarregadas de tarefas na linha da frente que põem a sua vida em risco, incluindo o transporte e manutenção de armas, a vigilância em postos de controlo, o tratamento e evacuação de feridos de guerra. As partes neste conflito estão também a usar as crianças para matar, nomeadamente em execuções ou como atiradores furtivos. 

Um dos maiores desafios neste conflito tem sido proporcionar às crianças oportunidades de aprendizagem. As taxas de frequência escolar no interior da Síria atingiram níveis mínimos. A UNICEF estima que mais de 2.1 milhões de crianças no interior do país, e 700 mil nos países vizinhos, não vão à escola. A fim de responder a esta situação, a UNICEF e organizações parceiras lançaram a iniciativa “No Lost Generation” (Não a uma geração perdida), que está empenhada em restaurar a aprendizagem e proporcionar oportunidades para os jovens. 

O relatório apela à comunidade internacional para que tome cinco medidas cruciais a fim de proteger uma geração de crianças que é vital: 

• Acabar com as violações dos direitos das crianças;

• Levantar os cercos e melhorar o acesso humanitário no interior da Síria;

• Assegurar um investimento de 1.4 mil milhões de dólares em 2016 para proporcionar oportunidades de aprendizagem para as crianças;

• Recuperar a dignidade das crianças e reforçar o seu bem-estar psicológico;

• Cumprir os compromissos assumidos em matéria de financiamento. A UNICEF recebeu apenas 6 por cento do financiamento necessário em 2016 para apoiar as crianças sírias no interior do país e as que vivem como refugidas nos países vizinhos.

 

For the 3.7 million Syrian children born since the conflict began, five years is literally a lifetime. A lifetime in which they have known little but violence, deprivation, and uncertainty. What are we to say to them and to all the children of Syria? That we don’t care if they become a lost generation, because of losses in learning and good health that will affect them for years to come? We cannot restore the precious years of childhood snatched away by this brutal war, but we can and must prevent their futures from also being stolen. For their futures are the future of Syria.

Anthony Lake,
UNICEF Executive Director