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UNICEF Alerta: Subnutrição grave em crianças aumenta para níveis catastróficos

LISBOA

29 jun 2022

Desde o início do ano, a crise alimentar mundial já levou mais 260 000 crianças a sofrerem de subnutrição grave – o que equivale a mais 1 criança nesta condição a cada minuto que passa.

O aumento dos preços dos alimentos devido à guerra na Ucrânia, os cortes orçamentais provocados pela pandemia de COVID-19 e a seca extrema existente em muitos países fizeram disparar a necessidade de Alimento Terapêutico Pronto a Usar, ao mesmo tempo que se estima que o custo deste alimento essencial para salvar a vida destas crianças aumente 16% nos próximos seis meses. A UNICEF lança agora um apelo para poder chegar a mais as crianças.

O número de crianças com subnutrição aguda grave já registava uma subida antes da guerra na Ucrânia, que ameaça mergulhar o mundo numa espiral de crise alimentar global, e está a aumentar. Este é um dos alertas apresentado pela UNICEF no relatório Severe wasting: An overlooked child survival emergency lançado recentemente. 

Desde o início do ano, a escalada da crise alimentar global levou a que 260.000 crianças adicionais – ou 1 criança a cada 60 segundos – a viessem a sofrer de perda de peso severa em 15 países afectados pelo impacto desta crise de forma particular, inclusive no Corno da África e na Região do Sahel.

Ajude a UNICEF a tratar crianças com subnutrição aguda grave Doe aqui

Actualmente, pelo menos 10 milhões das crianças que se encontram gravemente subnutridas - ou 2 em cada 3 - não têm acesso ao tratamento mais eficaz, através de Alimento Terapêutico pronto a Usar (RTUTF) – uma pasta à base de amendoim enriquecida com nutrientes. A UNICEF adverte que uma combinação de choques globais à segurança alimentar - liderados pela guerra na Ucrânia -, economias que lutam com a recuperação da pandemia de COVID-19 e condições de seca persistente em alguns países devido às alterações climáticas, está a criar condições para um aumento significativo dos níveis globais de subnutrição aguda grave.  

Ao mesmo tempo, os custos dos tratamentos que as salvam vidas estão a aumentar e o respectivo financiamento global está ameaçado. Lamentavelmente, a ajuda financeira ao combate à subnutrição permanece abaixo do necessário, e a previsão é que continue a diminuir nos próximos anos, sendo a expectativa de que não se verifique uma recuperação para os níveis pré-pandémicos antes de 2028. 

Entretanto, prevê-se que o preço do RTUTF aumente cerca de 16% durante os próximos seis meses devido à subida acentuada do custo dos ingredientes. Este aumento poderá significar que mais de 600.000 crianças ficam sem acesso a este tratamento que salva vidas. Além do custo dos ingredientes, é também esperado que os custos de transporte e distribuição se mantenham elevados. 

Para conseguir chegar a mais crianças com diagnóstico e tratamento vital de subnutrição aguda grave, a UNICEF Portugal lança agora um apelo de forma a sensibilizar e angariar fundos que permitam acompanhamento de crianças e das suas famílias no âmbito dos Programas para o Desenvolvimento locais, num esforço para salvar vidas diariamente. 

"Para milhões de crianças, por ano/todos os anos, estas saquetas de Alimento Terapêutico são/significam a diferença entre a vida e a morte. Um aumento de preços de 16% pode parecer controlável no contexto dos mercados alimentares globais, mas no final dessa cadeia de abastecimento está uma criança desesperadamente subnutrida, para quem os riscos não são de todo controláveis. Estamos a viver um momento histórico e estas crianças precisam da nossa acção. Como organização financiada exclusivamente por donativos voluntários, o apelo que a UNICEF lança tem como objectivo garantir as condições para que estas crianças possam, hoje, ter acesso a uma terapêutica que pode garantir-lhes um futuro como é seu direito. Participar neste apelo é dar vida a uma criança”, apela Beatriz Imperatori, Directora Executiva da UNICEF Portugal. 

A subnutrição aguda grave – em que as crianças apresentam um peso demasiado baixo para a sua altura e cujos sistemas imunitários estão enfraquecidos – é a forma de subnutrição mais grave e coloca riscos de vida. Em todo o mundo, pelo menos 13,6 milhões de crianças com menos de cinco anos sofrem de subnutrição aguda grave. 1 em cada 5 crianças com subnutrição aguda grave, com menos de cinco anos, morre. 

O Sul da Ásia continua a ser o "epicentro" da subnutrição aguda grave, onde cerca de 1 em cada 22 crianças sofre desta condição, três vezes mais do que na África Subsaariana. No resto do mundo, e aos dias de hoje, os países enfrentam taxas historicamente elevadas de subnutrição aguda grave. No Afeganistão, prevê-se que 1,1 milhões de crianças sofram de subnutrição aguda grave este ano, quase o dobro do número em 2018. No Corno de África, a seca sentida significa que o número de crianças com esta condição poderá aumentar rapidamente de 1,7 milhões para 2 milhões, e no Sahel prevê-se que o número de crianças com subnutrição aguda grave aumente 26% em relação a 2018. 

“A ajuda alimentar é fundamental, mas não podemos salvar crianças famintas com sacos de trigo. Precisamos de chegar e ajudar estas crianças com tratamentos terapêuticos agora, antes que seja tarde demais”, alerta Directora Executiva da UNICEF, Catherine Russell.

Tendo em consideração o preocupante cenário de crise alimentar a nível global, a UNICEF volta a reforçar a extrema necessidade de mais e maior ajuda monetária internacional, apelando à disponibilização de um pacote financeiro na ordem dos 1,2 mil milhões de dólares a ser aplicado em:

  • Fornecimento de um pacote de serviços e cuidados de nutrição essenciais para evitar milhões de mortes infantis nos 15 países mais afectados pela actual crise alimentar, incluindo programas de prevenção para proteger a nutrição materna e infantil de mulheres grávidas e crianças pequenas, detecção precoce e programas de tratamento para crianças que sofrem de subnutrição aguda grave, e aquisição e distribuição de RTUTF.
  • Garantir a prioridade para a prevenção e tratamento de subnutrição aguda grave em todos os planos globais de resposta à crise alimentar, garantindo que as alocações orçamentais incluam intervenções nutricionais preventivas, bem como alimentos terapêuticos para responder às necessidades imediatas das crianças que sofrem de subnutrição aguda grave.

 

Para Catherine Russel, “não há nenhuma razão para uma criança sofrer de subnutrição aguda grave – não quando temos o poder de o prevenir”.

Para mais informação, é favor contactar:
Vera Lança
press@unicef.pt  

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