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reportcard16

Report Card 16

Relatório da UNICEF sobre o bem-estar das crianças nos países desenvolvidos

Lisboa

03 set 2020

Mundos de Influência: Compreender as dimensões que influenciam o bem-estar das crianças nos países desenvolvidos.

O Report Card 16, intitulado “Mundos de Influência: Compreender as dimensões que influenciam o bem-estar das crianças nos países desenvolvidos” divulgado hoje pela UNICEF Office of Research – Innocenti, analisa dados pré-COVID-19 e apresenta uma tabela classificativa relativamente à saúde mental e física das crianças e às suas competências académicas e sociais nos países desenvolvidos. Com base nestes indicadores, a Holanda, a Dinamarca e a Noruega surgem nos três primeiros lugares da tabela como os melhores países para se ser criança.

O Report Card 16, apresenta uma visão mais ampla da criança e do seu bem-estar nos países desenvolvidos, integrando as dimensões da saúde mental, física e das competências académicas e sociais. Parte de uma abordagem multidimensional para demonstrar que o bem-estar da criança é influenciado pela qualidade das suas relações interpessoais, pelos recursos da sua família e comunidade, bem como pelas políticas públicas nacionais e os contextos social, educativo, económico e ambiental.

Problemas como a pobreza, a exclusão social e a poluição condicionam o bem-estar mental e físico das crianças, bem como as oportunidades para desenvolverem competências. O suicídio, a infelicidade, a obesidade e o baixo nível de competências sociais e académicas tornaram-se características comuns da infância nos países desenvolvidos.

Os Report Cards da UNICEF – que já são publicados há 20 anos – utilizam dados nacionais comparativos para classificar 41[1] países da UE e da OCDE sobre a infância.

 

“Muitos dos países mais ricos do mundo - que têm os recursos necessários para proporcionar uma boa infância a todas crianças - estão a falhar", afirma Gunilla Olsson, Directora da UNICEF Innocenti. "Os governos têm que tomar medidas rápidas e decisivas para proteger o bem-estar das crianças como resposta à pandemia, caso contrário, vamos assistir a um aumento acentuado das taxas de pobreza infantil; à deterioração da saúde mental e física; e a um fosso ainda maior entre as competências das crianças. O apoio às famílias e às crianças – no âmbito da COVID-19 - é francamente inadequado. É preciso fazer-se mais – agora - para proporcionar às crianças uma infância segura e feliz".

[1] O número de países comparados em cada indicador ou conjunto de indicadores é variável conforme: (i) a existência de dados disponíveis; (ii) e a possibilidade da sua comparação. 

Principais conclusões do Report Card 16

 

Saúde mental: Na maioria dos países, menos de quatro quintos das crianças revelam estar satisfeitas com as suas vidas. A Turquia tem a taxa de satisfação mais baixa, com 53%, seguida do Japão e do Reino Unido. As crianças que têm menor apoio familiar e as que sofrem de bullying têm uma saúde mental significativamente mais débil.

A Lituânia tem a taxa mais elevada de suicídio entre adolescentes - uma das principais causas de morte entre os jovens de 15-19 anos nos países ricos - seguida da Nova Zelândia e da Estónia.

 

Saúde física: As taxas de obesidade e excesso de peso entre as crianças têm aumentado nos últimos anos. Cerca de 1 em cada 3 crianças em todos os países são obesas ou têm excesso de peso. Este número também tem vindo a aumentar de forma acentuada no Sul da Europa. Em mais de um quarto dos países ricos, a mortalidade infantil ainda é superior a 1 por cada 1000.

 

Competências: Em média, 40% das crianças de todos os países da OCDE e da UE não têm competências básicas de leitura e matemática quando atingem os 15 anos de idade. As crianças na Bulgária, Roménia e Chile são as menos proficientes, enquanto a Estónia, a Irlanda e a Finlândia são as mais proficientes. Na maioria dos países, pelo menos 1 em cada 5 crianças não tem confiança nas suas aptidões sociais para fazer novos amigos. As crianças no Chile, no Japão e na Islândia são as menos confiantes nesta área.

O relatório também inclui dados sobre algumas áreas onde existiu um claro progresso no bem-estar das crianças. Em média, 95 por cento das crianças em idade pré-escolar estão agora inscritas em programas de aprendizagem organizada, e o número de jovens com idades compreendidas entre os 15-19 anos que estão fora da escola, a trabalhar ou a ter formação diminuiu em 30 de 37 países. No entanto, este progresso está em risco devido ao impacto da COVID-19.

Os países também são classificados com base nas políticas que apoiam o bem-estar das crianças e outros factores, incluindo a economia, a sociedade e o ambiente. A Noruega, a Islândia e a Finlândia têm as melhores políticas para apoiar o bem-estar das crianças. Em média, os países gastam menos de 3 por cento do seu PIB em políticas familiares e da infância.

 

Devido à pandemia da COVID-19, na primeira metade de 2020, a maioria dos países que constam no relatório, fecharam escolas por mais de 100 dias durante as medidas de confinamento[2]. O relatório demonstra que a perda de familiares e amigos, a ansiedade, as regras de confinamento, a falta de apoio, o fecho das escolas, o equilíbrio entre trabalho e vida familiar, o acesso restrito a cuidados de saúde, em conjunto com a situação económica devido à pandemia, são catastróficos para o bem-estar das crianças, afetando a sua saúde mental e física, e o seu desenvolvimento.

 

Na sequência deste relatório a UNICEF apela que sejam tomadas medidas para proteger e melhorar o bem-estar das crianças nomeadamente:

 

  • Tomar medidas decisivas para reduzir a desigualdade de rendimentos e a pobreza e garantir que todas as crianças tenham acesso aos recursos de que precisam.

 

  • Melhorar os serviços de saúde mental para crianças e adolescentes.

 

  • Alargar as políticas de apoio ​​à família para melhorar o equilíbrio trabalho-família, especialmente o acesso a creches de alta qualidade, flexíveis e acessíveis na primeira infância.

 

  • Reforçar os esforços para proteger as crianças de doenças evitáveis, e reverter a recente diminuição da imunização contra o sarampo.

 

  • Melhorar as políticas da COVID-19 que apoiam famílias com crianças e garantir que os orçamentos que apoiam o bem-estar da criança estão protegidos de quaisquer medidas de austeridade.

 

[2] https://ourworldindata.org/policy-responses-covid

Para mais informação, é favor contactar:
- Francisca Oliveira, UNICEF Portugal, Tel: 21 317 75 00,  foliveira@unicef.pt
- Vera Lança, UNICEF Portugal, Tel: 21 317 75 00, vlanca@unicef.pt 



 

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