#PôrFIMàViolência nas escolas
NOVA IORQUE
06 set 2018
46% dos jovens portugueses (13 e os 15 anos) afirmam ter sofrido ou ter estado envolvidos em situações de bullying no ano anterior
Metade dos alunos em todo o mundo com idades entre os 13 e os 15 anos – cerca de 150 milhões de jovens – relatam ter passado por violência entre pares na escola ou nas imediações desta, de acordo com um novo relatório lançado hoje pela UNICEF.
A publicação “Uma lição diária: #PôrFIMàViolência nas escolas” (“An Everyday Lesson: #ENDviolence in Schools”) diz que a violência entre pares – medida como o número de crianças que relatam ter sofrido bullying no mês anterior ou ter estado envolvidas em confrontos físicos no ano anterior – é uma componente perversa da educação dos jovens de todo o mundo. O seu impacto na aprendizagem e no bem-estar é semelhante tanto nos países ricos, como nos pobres.
“A educação é a chave para a construção de sociedades pacíficas e, não obstante, para milhões de crianças em todo o mundo, a escola não é um lugar seguro”, disse Henrietta H. Fore, Directora Executiva da UNICEF. “Todos os dias, existem alunos que enfrentam vários perigos, entre os quais confrontos físicos, pressão para se juntarem a gangues, bullying – tanto em pessoa, como online -, disciplinação violenta, assédio sexual e violência armada. A curto-prazo, isto tem efeitos na sua aprendizagem e, a longo-prazo, pode levar à depressão, à ansiedade e até mesmo ao suicídio. A violência é uma lição que não se esquece e nenhuma criança deveria ter de a experimentar."
O relatório enumera as várias formas de violência que os alunos enfrentam no interior e no exterior da sala de aulas. Segundo os últimos dados:
- Globalmente, pouco mais de 1 em cada 3 alunos entre os 13 e os 15 anos sofre bullying, e uma proporção sensivelmente igual está envolvida em confrontos físicos;
- 3 em cada 10 alunos em 39 países na Europa e América do Norte admitem ter praticado bullying contra pares seus;
- Em 2017, foram documentados ou confirmados 396 ataques contra escolas na República Democrática do Congo, 26 no Sudão do Sul, 67 na Síria e 20 no Iémen;
- Perto de 750 milhões de crianças em idade escolar vivem em países onde os castigos corporais na escola não são totalmente proibidos;
- Apesar do risco de bullying ser semelhante entre raparigas e rapazes, as primeiras têm mais probabilidades de sofrer bullying psicológico e os rapazes têm maior risco de sofrer agressões e ameaças físicas.
Uma das fontes utilizadas na elaboração do relatório “An Everyday Lesson: #ENDviolence in Schools” foram dados do Health Behaviour in School-aged Children Study - HBSC, 2013/14 que, por sua vez inclui dados sobre Portugal:
- 38% dos adolescentes com idades entre os 13 e os 15 anos reportaram ter sofrido bullying na escola nos meses anteriores;
- 31% dos adolescentes entre os 11 e 15 anos relataram praticar bullying contra pares na escola pelo menos uma vez nos últimos dois meses;
- Quase metade (46%) dos adolescentes dos 13 aos 15 anos indicaram ter sofrido bullying pelo menos uma vez nos dois últimos meses e/ou terem estado envolvidos em confrontos físicos pelo menos uma vez no último ano.
“An Everyday Lesson: #ENDviolence in Schools” é lançado como parte da campanha global #ENDviolence (#PôrFIMàViolência). Insere-se ainda no esforço global para chamar a atenção e incentivar à acção para que seja posto um fim à violência nas escolas e respectivas imediações e do qual fazem parte várias organizações, entre as quais a UNICEF, o Departamento de Desenvolvimento Internacional do Reino Unido, a UNESCO, e outros membros da Parceria Global para Pôr Fim à Violência contra Crianças e da Iniciativa das Nações Unidas para a Educação das Raparigas (UNGEI).
No âmbito da campanha, a UNICEF vai levar a cabo uma série de #ENDviolence Youth Talks em vários locais do mundo nos próximos meses. Esta série de debates moderadas por alunos, dará aos jovens uma plataforma de partilha das suas experiências de violência e dará voz à sua necessidade de se sentirem seguros nas escolas e nas imediações desta. Daqui resultarão ainda uma série de recomendações para os líderes mundiais. Em Julho, a Embaixadora de Boa Vontade da UNICEF Lilly Singh lançou o primeiro Youth Talk na África do Sul com um grupo de jovens com idades entre os 13 e os 19 anos.
Para que se acabe com a violência nas escolas, a UNICEF e os seus parceiros apelam à acção imediata através de:
- Implementação de políticas e adopção de legislação necessárias para proteger os alunos da violência nas escolas;
- Reforço das medidas de prevenção e de resposta nas escolas;
- Apelo às comunidades e indivíduos para que se apoiem os jovens quando estes falam sobre a violência de que foram vítimas e para que trabalhem no sentido de uma mudança de cultura nas salas de aula e comunidades;
- Investimentos mais eficazes e direccionados a soluções comprovadas que ajudem os alunos e as escolas a manterem-se em segurança;
- Melhoria da recolha de dados sobre a violência contra crianças nas escolas e imediações, assim como partilha daquilo que resulta.
A UNICEF encoraja ainda os jovens de todo o mundo para que façam ouvir as suas vozes para que seja posto um fim à violência nas escolas e imediações e para que partilhem com a organização como estão a trabalhar entre eles e que soluções estão a implementar para #PôrFIMàViolência nas escolas de uma vez por todas. Mais informação em: https://uni.cf/end-violence.
Acerca da UNICEF
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