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Nota de informação da UNICEF, no Palácio de Genebra, sobre a situação das crianças na Ucrânia e países vizinhos

GENEBRA, Suíça/LVIV, Ucrânia

04 mar 2022

Sumário das declarações do porta-voz da UNICEF, James Elder - a quem se pode atribuir o texto citado -, na conferência de imprensa de hoje, no Palais des Nations, em Genebra.

"A escalada do conflito forçou 500.000 crianças a abandonar as suas casas em apenas sete dias. Esta situação não tem precedentes, tanto em escala quanto em rapidez. E se a violência e o uso de munições explosivas não pararem, muitas mais deixarão o seu país num curto espaço de tempo. E tememos que muitas mais sejam mortas.

"Devemos também recordar-nos dos que não conseguem escapar aos bombardeamentos que atingem a Ucrânia. Dezenas de milhares de crianças estão em instituições de acolhimento; muitas vivem com deficiência.

"E depois, temos as crianças que estão doentes. As crianças feridas nos hospitais de Kiev. Ontem, estive num hospital pediátrico aqui, em Lviv – bebés na Unidade de Cuidados Intensivos, crianças a receber medicação por via intravenosa. A sua fuga é tão mais complicada e perigosa. Para dar apenas um exemplo – e há centenas de outros – falei com uma mãe de primeira viagem, Valeria, que estava com a sua filha de dois meses, Emma. Depois de sobreviveram aos fortes ataques em Dnipro, fizeram uma viagem de carro de dez horas para encontrarem uma segurança relativa em Lviv. Emma, de dois meses, tinha tossido sangue e era essa a razão pela qual estavam no hospital. Em lágrimas, Valeria disse-me "mentalmente estou bem. Fisicamente, não. Quero que a Emma tenha um futuro. Quero saber que ela ainda terá ambos os pais, vivos". É a isto que as mães da Urânia foram reduzidas.

"Com a continuação do conflito, ontem à noite, milhares de crianças passaram, uma vez mais, a noite, gélida e aterradora, em bunkers, com as suas casas sob cerco. Um número crescente de pessoas arrisca-se a ser apanhada pela violência à medida que o conflito se intensifica nos principais centros urbanos do país e nos arredores deste. Crianças foram mortas e foram feridas. Outras tantas, estão em elevado risco de morte ou de serem atingidas por munições e engenhos explosivos quando estes são utilizados em áreas habitacionais. Centenas de casas ficaram danificadas ou destruídas, e há relatos de escolas, instituições de cuidados na primeira infância e unidades de saúde que sofreram danos graves. As crianças têm de ter paz.

"A acrescer a esta situação, assistimos à deslocação exponencial de pessoas da Ucrânia para os países vizinhos. As necessidades humanitárias no país são crescentes e multiplicam-se a cada hora. Centenas de milhares de pessoas estão sem acesso a água potável devido a danos nas infraestruturas de abastecimento de água, e a outros serviços essenciais como cuidados de saúde. O país está a ficar sem recursos médicos essenciais e foi forçado a parar os importantes esforços que estavam em curso para travar um surto de poliomielite.

"A primeira coluna humanitária da UNICEF chegará amanhã de manhã (sábado) à Ucrânia, com artigos médicos de emergência, água e kits de saneamento e higiene, bem como medicamentos, kits de obstetrícia e equipamento cirúrgico. O nosso apoio é amplo – já fornecemos garrafas de oxigénio a um hospital em Kiev, e montámos espaços seguros para as crianças e suas mães (os chamados “Blue Dots”) em locais fronteiriços onde disponibilizamos apoio e protecção. Mas enquanto o conflito continuar, a procura irá continuar a ser superior à oferta.

"Gostaria também de dirigir uma palavra aos voluntários ucranianos e às comunidades locais, e naturalmente àqueles que se encontram na Polónia, Roménia, Eslováquia, Hungria, Moldávia, que têm sido incansáveis no seu apoio, força e solidariedade. Aqui, na Ucrânia, tenho visto avós a fornecerem refeições quentes na neve; estranhos a oferecerem às pessoas deslocadas uma cama para passar a noite; crianças a fazerem bolachas para aqueles que esperam por autocarros; ofertas para comprar medicamentos para pessoas que estão doentes ou que aguardam a sua vez nas estações de comboios. A toda a hora e em todo o lado, assistimos a momentos de uma extrema generosidade".

 

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