Nações Unidas lançam plano global de resposta humanitária à pandemia do COVID-19
Lisboa
25 mar 2020
As Nações Unidas lançam hoje um plano global de resposta humanitária ao COVID-19 com um apelo de quase 600 milhões de euros (652 milhões de dólares).
“As crianças são as vítimas invisíveis desta pandemia e a UNICEF está preocupada com o impacto desta pandemia na sua saúde, no seu bem-estar, no seu desenvolvimento e no seu futuro.” – afirma Henrietta Fore, Directora Executiva da UNICEF.
Através deste apelo a UNICEF alerta para as principais áreas que têm impacto na vida das crianças e das suas famílias, nomeadamente:
Água e Serviços de Higiene
- 40% da população mundial – mil milhões de pessoas – não têm acesso a água e sabão nas suas casas
- 16% dos serviços de saúde, ou 1 em cada 6, não tem serviços de higiene
- Mais de um terço das escolas em todo o mundo e metade das escolas nos países menos desenvolvidos não têm lugar para as crianças lavarem as mãos
Educação
- Mais de metade dos estudantes de todo o mundo foram afectados pelo fecho de escolas – a nível nacional – em pelo menos 120 países.
“Quanto mais tempo as crianças vulneráveis estiverem fora da escola menor é a probabilidade de regressarem à escola. O fecho das escolas não está a limitar apenas o acesso à educação mas também à nutrição escolar, programas de saúde, água limpa e informação fidedigna. A UNICEF está a trabalhar com ministérios da educação em todo o mundo para identificar oportunidades de aprendizagem alternativas, seja através de aulas online ou através de programas de TV e Rádio.” – afirma Henrietta Fore.
Protecção
Historicamente, em alturas de emergência, as crianças estão expostas a um maior risco de exploração, violência e abuso – altura em que as escolas estão fechadas, as pessoas perdem o emprego ou existem restrições à mobilidade. O fecho das escolas durante o surto de Ébola em África de 2014 a 2016 levou a um aumento significativo de exploração infantil, negligência, abuso sexual e gravidezes na adolescência.
Serviços de Saúde básicos
“Estamos preocupados com o acesso a serviços de saúde básicos, incluindo imunização e tratamento de doenças da infância. Nós podemos salvar uma criança do COVID-19, e depois perder muitas outras devido a pneumonia, sarampo e cólera” – acrescenta a Directora Executiva da UNICEF.
Saúde Mental
- A depressão e a saúde mental afectam 1 em cada 3 pessoas
- A pandemia pode ter consequências graves para a saúde mental através do aumento da ansiedade e da mudança de comportamentos
“As crianças estão a perder alguns dos melhores momentos das suas vidas – falar com amigos, participar nas aulas, e praticar desporto. A UNICEF tem vindo a criar guias para pais, professores e crianças para os ajudar a lidar com estes desafios.” – continua Henrietta Fore.
Zonas de conflicto
As crianças em zonas de conflicto vivem em condições difíceis e com muitas pessoas:
- Uma família de seis, oito, dez ou doze pode estar a viver num único quarto
- O isolamento social e lavagem das mãos com sabão são mais difíceis nestes ambientes
“Temos uma enorme preocupação com os milhões de crianças que estão em movimento ou a viver em zonas de conflicto. Para estas crianças, as consequências desta pandemia vão ser como algo nunca visto.” – afirma Henrietta Fore.
Por estas razões, o financiamento deste plano global de resposta humanitária é fundamental. A UNICEF apela a um total de quase 600 milhões de euros (652 milhões de dólares):
- Resposta a países em situação de emergência: 373 milhões de euros (405 milhões de dólares)
- Resposta a países em situação de não-emergência: 227 milhões de euros (247 milhões de dólares)
“Com o apoio da comunidade internacional, podemos, juntos, consolidar planos de preparação e resposta em países com sistemas de saúde mais fracos. Podemos aumentar o acesso a serviços adequados para lavagem das mãos e saneamento. Podemos aumentar o nosso envolvimento com as comunidades para facultar as informações necessárias para evitar o contágio. Podemos garantir um fornecimento contínuo de equipamento de protecção individual - como roupas, máscaras, óculos e luvas - para apoiar a prevenção e o controlo de infecções, ao mesmo tempo que mantemos em segurança os nossos profissionais. E podemos continuar a trabalhar com os governos para melhorar os serviços de protecção, apoio psicossocial e oportunidades de aprendizagem remota para todas as crianças e, particularmente, para as crianças mais vulneráveis.” – conclui Henrietta Fore, Directora Executiva da UNICEF.