Cerca de 90.000 crianças precisam de assistência humanitária urgente no centro de Moçambique, após a passagem do ciclone Eloise
LISBOA/BEIRA/NOVA IORQUE
26 jan 2021
As crianças e as suas famílias estão ainda a recuperar do ciclone Idai que devastou aquela região há menos de dois anos.
Mais de 176.000 pessoas, incluindo 90.000 crianças, no centro de Moçambique irão provavelmente precisar de assistência humanitária após o Ciclone Eloise ter atingido a região no passado fim de semana. As crianças que vivem nas áreas afectadas, principalmente as que foram deslocadas das suas casas, poderão em breve correr o risco de contrair doenças transmitidas pela água, como cólera e infecções diarreicas.
A tempestade, que atingiu a costa a 23 de Janeiro, trouxe consigo chuvas torrenciais e ventos fortes de até 160 quilómetros por hora, deixando casas, terras agrícolas e infra-estruturas essenciais danificadas ou destruídas. De acordo com relatórios iniciais, 8.400 pessoas perderam as suas casas e pelo menos 26 unidades de saúde e 85 salas de aula foram destruídas.
Na cidade portuária da Beira e nas áreas rurais envolventes, inundações ameaçam agora uma população que ainda se encontrava em estado de recuperação do Ciclone Idai, que atingiu a mesma região em 2019, deslocando dezenas de milhares de famílias e originando insegurança alimentar generalizada e aumento da subnutrição entre crianças.
“Há menos de dois anos, vi em primeira mão as consequências devastadoras do Ciclone Idai nas crianças e famílias no centro de Moçambique - consequências que continuam até hoje,” disse a Directora Executiva da UNICEF, Henrietta Fore. “Esta última tempestade mostra-nos mais uma vez que as crianças estão a arcar com o impacto dos eventos climáticos graves relacionados com o clima. É necessário que levemos as alterações climáticas a sério e investirmos em medidas para fortalecer a resiliência das comunidades vulneráveis.”
As equipas de emergência da UNICEF destacadas para a Beira antes da chegada do ciclone Eloise, estão actualmente a colaborar na avaliação dos danos para garantir uma operação de assistência rápida e eficaz. Como resposta imediata, a UNICEF poderá distribuir artigos domésticos e de higiene básicos pré-posicionados na região, produtos para purificação de água, lonas e medicamentos essenciais para até 20.000 pessoas. A UNICEF irá ainda cooperar com as comunidades locais e o Governo de Moçambique para avaliar as necessidades, priorizar o apoio aos mais vulneráveis e garantir a protecção das crianças.
O potencial surto de doenças de transmissão hídrica, como a diarreia e a cólera, é uma grande preocupação nas áreas inundadas. A UNICEF está a trabalhar com sentido de urgência com o governo e parceiros para garantir que as pessoas afectadas tenham acesso a água potável para prevenir a propagação de doenças.
Moçambique é repetidamente atingido por ciclones severos, secas e inundações; esta é a segunda tempestade forte que atinge o país em menos de um mês. O país está também a braços com conflitos nas regiões norte e centro, que obrigaram à deslocação de mais de meio milhão de pessoas. Estes choques frequentes deixam poucas oportunidades para que as famílias possam recuperar, especialmente para aquelas que vivem abaixo do limiar da pobreza.
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