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Mais de 100 mil crianças que fogem do conflito no Sudão enfrentam novos perigos numa situação desesperada no Chade

NOVA IORQUE/DAKAR/N'DJAMENA

26 jun 2023

  • Chuvas intensas aumentam risco de surtos de doenças e dificultam acesso humanitário a centenas de milhares de pessoas necessitadas;
  • UNICEF apela a 25 milhões de dólares para apoiar crianças e famílias ao longo da fronteira.

 

 

As crianças e famílias que chegaram ao leste do Chade à procura de segurança, após fugirem do conflito cada vez mais intenso na região sudanesa vizinha de Darfur, enfrentam novas necessidades e desafios, ao procurarem refúgio em regiões do Chade que já são das mais desfavorecidas.

A 23 de junho, mais de 140 mil refugiados sudaneses e 34 mil chadianos retornados tinham atravessado a fronteira – mais de 90% são mulheres e crianças – e espera-se que milhares de pessoas cheguem à medida que a violência se intensifica em Darfur.

Os refugiados que chegam relatam histórias de fugas de aldeias incendiadas, ataques e mortes de civis, alguns durante a tentativa de atravessar para o Chade. Muitos estão feridos ou perderam entes queridos e várias crianças perderam o rasto das suas famílias enquanto fugiam.

"O horror que as crianças e as famílias estão a viver no Sudão está rapidamente a tornar-se numa grave crise no Chade", afirmou Jacques Boyer, Representante da UNICEF no Chade. "Estamos a ficar sem recursos para prestar apoio às crianças e famílias que chegam, ao mesmo tempo que temos cada vez mais receio de que esta emergência humanitária possa quebrar uma coesão já muito frágil entre as fronteiras."

A maioria dos refugiados chega ao Chade através de 27 pontos de entrada ao longo da fronteira, nas regiões de Ouaddai, Sila e Wadi Fira. Nestes locais, os níveis de privação estão entre os mais altos do país. O acesso a serviços essenciais, como água, abrigo, saúde e educação, é extremamente limitado e as comunidades estão sob pressão adicional para partilhar recursos muito escassos. Com o comércio com o Sudão interrompido, os preços dos alimentos e bens essenciais também aumentaram substancialmente.

Entre as principais ações realizadas pela UNICEF estão:

  • Construir furos de água para refugiados e comunidades de acolhimento, garantindo o acesso a água potável segura, fornecendo tratamento caseiro de água e promovendo hábitos de higiene para prevenir doenças transmitidas pela água.
  • Criar espaços amigos das crianças para oferecer apoio psicossocial e identificar e reunir crianças separadas e não acompanhadas com as suas famílias.
  • Distribuir medicamentos essenciais, vacinas e suplementos nutricionais nos centros de saúde das aldeias que acolhem os refugiados.
  • Sensibilizar refugiados e comunidades de acolhimento sobre práticas familiares essenciais, coesão social e prevenção de exploração e abuso sexual.

À medida que as necessidades continuam a aumentar, a UNICEF e os seus parceiros reviram o plano inicial de acolher 100 mil refugiados e retornados para 310 mil até dezembro de 2023. Mais de metade já fugiu do Sudão para o Chade até meados de junho. Com o início das chuvas no Chade, o acesso às regiões afetadas será significativamente cortado e é necessário aumentar imediatamente a resposta.

"Esta crise está a agravar-se a cada dia que passa e precisamos de ajuda rapidamente para limitar os efeitos do desastre humanitário que está a desenrolar-se diante dos nossos olhos", afirmou Boyer.

Até agora, a UNICEF Chade conseguiu mobilizar 10% (2,5 milhões de dólares) dos 25 milhões de dólares necessários para responder à crise.

Para mais informação, é favor contactar:
Francisco Bruto da Costa
press@unicef.pt  

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