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Um ano de guerra na Ucrânia empurra uma geração de crianças para a beira do abismo

NOVA IORQUE/KIEV

21 fev 2023

Quase um ano após a escalada do conflito na Ucrânia a 24 de fevereiro de 2022, uma geração de crianças viveu 12 meses de violência, medo, perda e tragédia. Não há um único aspeto da vida das crianças que a guerra não tenha afetado - crianças foram mortas, feridas, forçadas a abandonar as suas casas, perderam o acesso a educação crítica e viram ser-lhes negados os benefícios de um ambiente seguro e protegido.

"As crianças na Ucrânia viveram um ano de terror,” afirmou a Diretora Executiva da UNICEF, Catherine Russell. "Milhões de crianças vão dormir com frio e assustadas, e acordam com esperanças de um fim para esta guerra brutal. Crianças foram mortas e feridas, e muitas perderam pais e irmãos, os seus lares, escolas e lugares para brincar. Nenhuma criança deveria jamais ter de suportar esse tipo de sofrimento."

A crise económica, com um vasto número de famílias a relatar uma perda significativa de rendimentos, juntamente com a crise energética desencadeada pela guerra, têm sido devastadoras para o bem-estar das crianças e das famílias no país. Segundo um inquérito recente da UNICEF, 80 por cento dos inquiridos verificam uma deterioração da sua situação económica. Dados da UNICEF sugerem que a percentagem de crianças que vivem em situação de pobreza quase duplicou de 43 por cento para 82 por cento. A situação é especialmente grave para os 5,9 milhões de pessoas que estão atualmente deslocadas no interior da Ucrânia.

A guerra está também a ter um impacto devastador na saúde mental e no bem-estar das crianças. Estima-se que 1,5 milhões de crianças estão em risco de depressão, ansiedade, stress pós-traumático e outros problemas de saúde mental, com potenciais efeitos e implicações a longo prazo.

O acesso das crianças e famílias aos serviços básicos tem sido aniquilado. Mais de 1.000 instalações de saúde foram danificadas ou destruídas por bombardeamentos e ataques aéreos, tendo estes ataques causado a morte ou lesões graves a doentes - incluindo crianças -, assim como a pessoal médico, enquanto prejudicou, também, o acesso a cuidados de saúde. Milhares de crianças que fogem de conflitos em todo o país não estão a receber imunização de rotina vital para ficarem protegidas da poliomielite, sarampo, difteria e outras doenças potencialmente fatais.

Desde 24 de Fevereiro de 2022, a UNICEF, graças ao apoio da comunidade internacional:

  • forneceu material de aprendizagem a 770.000 crianças;
  • beneficiou 1,4 milhões de crianças com acesso a educação formal e não formal;
  • facultou acesso a serviços de saúde mental e apoio psicossocial a 2,9 milhões de crianças e cuidadores;
  • prestou serviços de resposta à violência baseada no género a 352.000 mulheres e crianças;
  • beneficiou 4,6 milhões de pessoas com acesso a água potável;
  • facilitou acesso a serviços de saúde a 4,9 milhões de pessoas; e
  • forneceu assistência em dinheiro a 1,4 milhões de pessoas dentro da Ucrânia e a 47.494 agregados familiares refugiados nos países vizinhos.

 

"As crianças precisam do fim desta guerra e de uma paz sustentada para recuperarem a sua infância, voltarem à normalidade e começarem a recuperar", disse Catherine Russell. "Até que isso aconteça, é absolutamente crítico que a saúde mental e as necessidades psicossociais das crianças sejam priorizadas. Isto deve incluir acções de prestação de cuidados de nutrição adequadas à idade, iniciativas para a construção de resiliência; e especialmente no caso das crianças e adolescentes mais velhos, é necessário dar-lhes oportunidades de expressarem as suas preocupações."

Para agravar ainda mais esta questão, a guerra tem perturbado a educação de mais de cinco milhões de crianças, negando-lhes o sentido de estrutura, segurança, normalidade e esperança que a sala de aula lhes proporciona.  Este acesso limitado à educação verificou-se depois de um período de dois anos de aprendizagem afetada pela pandemia de COVID-19, e - para as crianças que vivem no leste da Ucrânia – após mais de 8 anos de interrupção da educação.

A UNICEF continua a apelar ao acesso humanitário seguro, rápido e sem impedimentos, ao fim dos ataques contra crianças e as infra-estruturas de que dependem, incluindo escolas, hospitais e sistemas de abastecimento de água e saneamento; ao fim da utilização de escolas no conflito; e à cessação do uso de armas explosivas em zonas habitadas, diretamente responsáveis pela morte e mutilação de centenas de crianças. Acima de tudo, a UNICEF continua a defender o fim das hostilidades.

A UNICEF lançou recentemente o seu Apelo Anual de Ação Humanitária para as Crianças. A nossa organização precisa de 1,1 mil milhões de dólares para satisfazer as necessidades imediatas e a longo prazo de 9,4 milhões de ucranianos, incluindo 4 milhões de crianças, tanto dentro como fora da Ucrânia, que continuam a ser profundamente afetados pela guerra no país. Os doadores portugueses podem fazer o seu donativo na página da UNICEF Portugal aqui.

O financiamento destinado a colmatar os efeitos desta emergência permitirá à UNICEF fornecer, manter e expandir serviços críticos em matéria de saúde, nutrição, proteção infantil, violência baseada no género, água e saneamento, assim como de proteção social, juntamente com esforços governamentais e de recuperação. Destina-se, ainda, a assegurar apoio na preparação atempada de novas deslocações internas e movimentos de refugiados.

Para mais informação, é favor contactar:
Vera Lança
press@unicef.pt  

Acerca da UNICEF
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