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Envios para países africanos anunciam últimos passos rumo à vacinação mais abrangente contra a malária

GENEBRA/NOVA IORQUE/COPENHAGA

22 nov 2023

Os envios da primeira vacina contra a malária recomendada pela OMS, RTS,S, começaram com 331.200 doses a aterrar ontem à noite em Yaoundé, nos Camarões. Esta entrega marca o primeiro envio para um país não envolvido anteriormente no programa piloto de vacinação contra a malária, sinalizando o início iminente da expansão da vacinação contra a malária nas áreas de maior risco no continente africano.

Quase a cada minuto, uma criança com menos de cinco anos morre de malária. Em 2021, registaram-se 247 milhões de casos de malária em todo o mundo, que resultaram em 619.000 mortes. Destas, 77% eram crianças com menos de 5 anos de idade, principalmente em África. A prevalência da malária é mais elevada no continente africano, que representa aproximadamente 95% dos casos de malária a nível mundial e 96% das mortes relacionadas em 2021.

Prevê-se que mais 1,7 milhões de doses da vacina RTS,S cheguem ao Burkina Faso, Libéria, Níger e Serra Leoa nas próximas semanas, com mais países africanos a receberem doses nos próximos meses. Tal reflete o facto de que vários países estão agora na fase final de preparação para a introdução da vacina contra a malária nos programas de imunização de rotina, com as primeiras doses previstas para serem administradas no primeiro trimestre de 2024.

São necessárias preparações abrangentes para introduzir qualquer nova vacina nos programas de imunização essenciais – tais como a formação de profissionais de saúde, investimento em infraestruturas, capacidade técnica, armazenamento de vacinas, envolvimento e procura da comunidade, e sequenciação e integração da implementação em paralelo com a administração de outras vacinas e intervenções de saúde. A administração da vacina contra a malária tem o desafio adicional de um esquema de quatro doses que requer um planeamento cuidadoso para ser eficazmente entregue.

Desde 2019, o Gana, o Quénia e o Maláui têm administrado a vacina num esquema de 4 doses a partir dos 5 meses de idade em distritos selecionados, como parte do programa piloto, conhecido como Programa de Implementação da Vacina contra a Malária (MVIP). Mais de 2 milhões de crianças foram vacinadas contra a malária nos três países africanos através do MVIP – o que resultou numa notável diminuição de 13% na mortalidade por todas as causas em crianças com idade elegível para receber a vacina, e em reduções substanciais na doença grave e nas hospitalizações por malária. Outras conclusões importantes do programa piloto mostram que a adoção da vacina é elevada, sem redução da utilização de outras medidas de prevenção da malária ou da adoção de outras vacinas. O MVIP é coordenado pela OMS em colaboração com a UNICEF e outros parceiros, e financiado pela Gavi, pelo Fundo Global e pela UNITAID, com doses doadas pela GSK, o fabricante da vacina RTS,S.

Os dados do projeto piloto demonstraram o impacto e a segurança da vacina RTS,S e forneceram dados importantes sobre a aceitação e a adesão à vacina que ajudaram a informar a recente recomendação da OMS de uma segunda vacina contra a malária – a R21, fabricada pelo Serum Institute of India (SII). Os resultados de um ensaio de fase 3 da R21 mostraram que a vacina tem um bom perfil de segurança no contexto do ensaio clínico e reduz a malária nas crianças. Prevê-se que, tal como a RTS,S, quando a R21 for implementada, terá um impacto elevado semelhante na saúde pública.  A escolha da vacina a utilizar num país deve basear-se nas características programáticas, no fornecimento da vacina e na acessibilidade.

Atualmente, a vacina R21 está em processo de revisão pela OMS para pré-qualificação. Espera-se que a disponibilidade de duas vacinas contra a malária aumente a oferta para satisfazer a elevada procura dos países africanos e resulte em doses de vacina suficientes para beneficiar todas as crianças que vivem em áreas onde a malária constitui um risco para a saúde pública. Em preparação para a vacinação em grande escala, a Gavi, a OMS, a UNICEF e os parceiros estão a trabalhar com os países que manifestaram interesse e/ou confirmaram planos de implementação sobre os próximos passos.

Estes desenvolvimentos significam que a implementação alargada da vacinação contra a malária em regiões endémicas tem o potencial de ser um fator decisivo para os esforços de controlo da malária, e poderá salvar dezenas de milhares de vidas por ano. No entanto, as vacinas contra a malária não são uma solução autónoma. Devem ser introduzidas no contexto do pacote de medidas de controlo da malária recomendado pela OMS, que inclui redes tratadas com inseticida, pulverização residual intradomiciliária, tratamento preventivo intermitente em mulheres grávidas, medicamentos antimaláricos, gestão eficaz de casos e tratamento, que ajudaram a reduzir as mortes relacionadas com a malária desde 2000. É importante salientar que o MVIP demonstrou que a administração de vacinas juntamente com intervenções não relacionadas com vacinas pode reforçar a aceitação de outras vacinas e a utilização de redes tratadas com inseticida e, em geral, aumentar o acesso às medidas de prevenção da malária.

"O mundo precisa de boas notícias – e esta é uma boa notícia", afirmou David Marlow, Diretor Executivo da Gavi, a Aliança para as Vacinas. "A Gavi orgulha-se de que a nossa Aliança de partes interessadas, com os países africanos na vanguarda, tomou a decisão de investir na vacina contra a malária como uma prioridade de saúde pública, e de que este apoio contribuiu para a disponibilidade de uma nova ferramenta que pode salvar a vida de milhares de crianças todos os anos. Estamos entusiasmados com o lançamento desta vacina histórica através dos programas da Gavi e trabalhamos com os parceiros para garantir que seja administrada juntamente com outras medidas vitais."

“Este pode ser um verdadeiro fator decisivo na nossa luta contra a malária”, disse a Diretora Executiva da UNICEF, Catherine Russell. “A introdução de vacinas é como acrescentar um jogador estrela a um campo. Com esta medida há muito esperada, liderada pelos líderes africanos, estamos a entrar numa nova era na imunização e no controlo da malária, que esperamos que salve a vida de centenas de milhares de crianças todos os anos”.

"Este é mais um momento de viragem para as vacinas e o controlo da malária, e um raio de luz num período sombrio para tantas crianças vulneráveis no mundo. A entrega de vacinas contra a malária a novos países em toda a África oferecerá proteção vital a milhões de crianças em risco de contrair malária", afirmou o Diretor-Geral da OMS, Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus. "Mas não podemos ficar por aqui. Juntos, temos de encontrar a vontade e os recursos necessários para aumentar a escala das vacinas contra a malária, para que mais crianças possam viver mais tempo e com mais saúde”.

“Este é um avanço significativo para a expansão da vacinação contra a malária na região. A vacina, que protege as crianças das formas graves da doença, é uma adição vital ao conjunto existente de ferramentas de prevenção da malária e ajudará a reforçar os nossos esforços para inverter a tendência crescente de casos e reduzir ainda mais as mortes”, disse a Dra. Matshidiso Moeti, Diretora Regional da OMS para África.

 

Para mais informação, é favor contactar:
Francisco Bruto da Costa
press@unicef.pt  

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