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Director de Emergências da UNICEF, Manuel Fontaine, visita a região somali atingida pela seca e apela a uma resposta humanitária imediata para salvar milhões de crianças

REGIÃO SOMALI, ETIÓPIA/LISBOA

20 jul 2022

Cerca de 10 milhões de pessoas, incluindo 4,4 milhões de crianças, precisam urgentemente de assistência humanitária em zonas afectadas pela seca

Quatro estações chuvosas consecutivas com pouca chuva provocaram uma seca severa nas regiões baixas de Afar, Oromia, e Região das Nações, Nacionalidades e Povos do Sul (SNNPR, do inglês ‘Southern Nations, Nationalities, and People's Region’) na Etiópia e Somália. Poços de água secaram e milhões de animais morreram, resultando em deslocações em massa.  

"O impacto da seca nas crianças é devastador", disse Manuel Fontaine, Director de Operações de Emergência da UNICEF. "Só na região da Somália, mais de 900.000 pessoas foram deslocadas. A seca não significa apenas falta de água. Significa que as crianças passam fome e sede todos os dias. São obrigadas a caminhar quilómetros em busca de alimentos e água e muitas vezes têm de beber de fontes de água contaminadas. Isto leva à subnutrição e a outras doenças que podem ser evitadas, como é o caso da diarreia".

As taxas de subnutrição estão a aumentar a um ritmo alarmante devido à seca. Nas quatro regiões afectadas, estima-se que 600.000 crianças irão precisar de tratamento para a subnutrição aguda grave até ao final do ano. Na região da Somália, houve um aumento de 43 por cento nas admissões para tratamento de casos de subnutrição aguda grave em crianças menores de 5 anos em maio de 2022, em comparação com maio de 2021. 

Ajude a UNICEF a tratar crianças com subnutrição aguda grave Doe aqui

Beatriz Imperatori, Directora Executiva da UNICEF Portugal, salienta que ”esta crise alimentar severa e global que estamos a atravessar está a ter efeitos absolutamente catastróficos, em regiões do mundo já antes vulneráveis como a Etiópia e a Somália. A situação é grave e, muito provavelmente, vai piorar ao longo dos próximos meses.” Os efeitos da guerra na Ucrânia vão agravar a situação de mais famílias em África e exacerbar a insegurança alimentar pelo aumento dos preços dos combustíveis e da redução da disponibilidade de importações de trigo. A Etiópia importa 67 por cento do seu trigo da Rússia e da Ucrânia. Por isso os preços do óleo alimentar, do pão e da farinha de trigo estão a atingir novos recordes nos mercados locais e mesmo as famílias que não vivem em situação de crise humanitária não conseguem satisfazer as suas necessidades alimentares diárias. “A UNICEF Portugal pede o contributo solidário de todos os portugueses para enfrentar esta crise. Queremos chegar ao maior número de crianças possível com alimentos e água. Não podemos deixar no século XXI que crianças morram e adoeçam com fome. Este mundo é global, no que tem de bom e mau. Assim também são a responsabilidade e a solidariedade”, conclui Beatriz Imperatori.

A UNICEF Portugal iniciou em Julho um apelo humanitário para responder à crise alimentar mundial. Todos os que queiram contribuir podem fazê-lo directamente nas nossas plataformas.

"Esta crise induzida pelo clima é uma crise de subnutrição para crianças e não apenas na Etiópia, mas em toda a África", esclareceu ainda Manuel Fontaine, realçando que, "enquanto a UNICEF e os seus parceiros já estão no terreno a fornecer apoio nutricional para salvar as vidas de crianças gravemente subnutridas”.

O apelo da UNICEF para a resposta à seca para as áreas afectadas na Etiópia é de 65 milhões de USD, para além do apelo humanitário global de 351 milhões de USD. Este financiamento específico irá abranger mais de 2 milhões de pessoas vulneráveis nas regiões de Afar, Oromia, SNNPR e Somali.

Para mais informação, é favor contactar:
Vera Lança
press@unicef.pt  

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