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Declaração do Diretor Regional da UNICEF para o Médio Oriente e Norte de África, Edouard Beigbeder, sobre as mortes de crianças que continuam a ocorrer em toda a Faixa de Gaza

Declaração do Diretor Regional da UNICEF para o Médio Oriente e Norte de África, Edouard Beigbeder, sobre as mortes de crianças que continuam a ocorrer em toda a Faixa de Gaza

AMÃ

20 out 2026

“Mohamed, de 14 anos, regressava a casa depois de ter estado num centro de aprendizagem apoiado pela UNICEF, a 17 de outubro, em Deir al-Balah, na Faixa de Gaza, quando, segundo relatos, foi atingido na rua por um ataque de um drone armado e morto. A sua mochila escolar ficou caída junto ao corpo.

“No dia seguinte, Misk, de seis anos, aluna do primeiro ano num centro de aprendizagem da UNICEF, estava em casa quando, segundo relatos, foi morta a tiro em al-Maghazi. Mais tarde, nesse mesmo dia, Tamer, de 12 anos, terá sido atingido a tiro quando se encontrava sobre os escombros da sua casa, na zona de Beit Lahia.


“Na terça-feira, Baraa, de 14 anos, terá sido morto por disparos de um tanque no norte de Nuseirat. Nas primeiras horas desta manhã, um projétil atingiu uma escola onde várias famílias estão abrigadas, ferindo duas crianças.
“Estas crianças estão entre as oito que, segundo relatos, foram mortas e as 20 que ficaram feridas em apenas seis dias, em toda a Faixa de Gaza. O número total de crianças mortas desde o anúncio do cessar-fogo de outubro de 2025 ascende agora a 351. Este nível de violência contra as crianças é inaceitável.


“Para as crianças que sobrevivem aos ataques, a recuperação física e psicológica é ainda mais dificultada pela devastação do sistema de saúde de Gaza. É o caso de Raghad, de 16 anos, que saiu de casa há seis dias para se dirigir ao seu centro de aprendizagem quando, segundo relatos, foi atingida nas costas por disparos, perto de Beit Lahia.


“A bala ficou alojada entre a coluna vertebral e os pulmões. Raghad tem dores constantes e dificuldade em respirar. Os médicos afirmam que necessita de uma cirurgia, mas, sem o equipamento necessário para obter imagens nítidas, não podem operá-la em segurança. Por enquanto, Raghad espera, sem saber quando receberá o tratamento de que necessita.

“É necessário proteger as crianças, onde quer que estejam. Em casa, enquanto brincam, a caminho das aulas ou no regresso a casa, em qualquer lugar. Já sofreram demasiado.


“As crianças de Gaza estão a tentar recuperar a sua infância e encontrar alguma rotina e estabilidade nas suas jovens vidas, que, para demasiadas, voltaram a ser interrompidas. Um cessar-fogo que não protege as crianças falhou-lhes.


“A UNICEF apela às autoridades israelitas para que tomem medidas imediatas e decisivas destinadas a proteger as crianças, em conformidade com as obrigações que lhes incumbem ao abrigo do Direito Internacional Humanitário. Estas medidas incluem respeitar os princípios da distinção, da proporcionalidade e da precaução em todos os ataques, adotar todas as medidas viáveis para evitar e minimizar os danos causados à população civil e assegurar que as crianças recebem a proteção especial a que têm direito ao abrigo do Direito Internacional Humanitário.


“As autoridades devem também garantir mecanismos de responsabilização transparentes e sólidos sempre que crianças sejam mortas ou mutiladas, bem como tomar medidas eficazes para prevenir novos atos de violência.”

Para mais informação, é favor contactar:
Catarina da Ponte | Vera Lança | press@unicef.pt

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