Dar prioridade à recuperação das aprendizagens e ao bem-estar das crianças mais vulneráveis no regresso à escola
LISBOA
12 mar 2021
A UNICEF congratula-se pela apresentação do plano de desconfinamento que prevê a reabertura dos vários níveis de ensino, de forma faseada, bem como a testagem em massa nas escolas e a inclusão do pessoal docente e não-docente na primeira fase do Plano de Vacinação. A prioridade dada à Educação nas testagens e vacinações é de saudar, pois o regresso físico às escolas é essencial para o desenvolvimento das crianças e jovens.
No regresso às aulas, a UNICEF considera que deve ser dada especial atenção aos programas de recuperação e consolidação das aprendizagens, e ao bem-estar das crianças, de forma a promover o seu desenvolvimento integral. Com efeito, a recuperação das aprendizagens deve ser uma prioridade da acção governativa ao nível da educação. A escola tem que cumprir o seu papel de nivelador socioeconómico, garantindo oportunidades iguais para todos os alunos.
O ensino à distância afectou as crianças de forma desigual. Os alunos que tiveram maiores dificuldades em acompanhar as aulas, com recursos limitados ou falta de supervisão por parte dos cuidadores, ou as crianças com deficiência, poderão precisar de atenção e medidas específicas. A UNICEF apela a que, no regresso ao ensino presencial, seja realizada uma avaliação rigorosa para identificar as lacunas ou dificuldades de aprendizagem destas situações específicas, a fim de adaptar as estratégias e prevenir o abandono escolar.
Deve ser dada uma atenção redobrada às crianças que se encontravam em risco de abandono escolar. Sem educação, o futuro destas crianças e jovens pode ficar ainda mais incerto. Os esforços para as trazer de volta à escola devem ser redobrados e as medidas devem aumentar e diversificar-se.
A maior parte das crianças depende das escolas para socializar. Para além do reforço das aprendizagens, o período de adaptação à escola deve incidir sobre as dimensões social, emocional e psicológica. Após uma ausência significativa, o regresso requer um tempo de adaptação para toda a comunidade educativa, que deve centrar-se na socialização e na dimensão humana da escola. As crianças devem ter tempo e espaço para conviver, brincar, partilhar sentimentos e emoções, ganhar confiança e aumentar a sua auto-estima.
Com o aumento ou agravamento das situações de violência, as escolas devem também assegurar uma abordagem multissectorial e o acesso a serviços, que envolva as várias áreas (intervenção precoce, saúde, educação, justiça) para a prevenção e resposta a situações de violência e abuso que estão a afectar o pleno desenvolvimento da criança.
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