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119 crianças soldado libertadas hoje no Sudão do Sul

Mais de 3.000 crianças soldados foram libertadas desde o início do conflito no Sudão do Sul, mas milhares continuam ainda a ser utilizadas em combate

NOVA IORQUE/YAMBIO, Sudão do Sul

12 fev 2019

Cento e dezanove crianças foram libertadas por um grupo armado no Sudão do Sul na terça-feira, elevando o número total de crianças libertadas desde o início do conflito para mais de 3.100. O grupo incluía quarenta e oito meninas e o membro mais novo tinha apenas dez anos de idade.

“Cada criança que consegue escapar a um grupo armado representa uma infância restaurada e um futuro recuperado”, afirmou a Directora Executiva da UNICEF, Henrietta Fore, que visitou o Sudão do Sul em Janeiro do ano passado. “Há cada vez mais crianças que estão a ser libertadas pelos grupos armados e forças armadas no Sudão do Sul, e embora isto seja uma evolução significativa, há ainda um longo caminho a percorrer antes de conseguirmos que todas as mais de 19.000 crianças soldado sejam devolvidas às suas famílias.”

Desde Fevereiro de 2018, mais de mil crianças foram libertadas por vários grupos armados.

A mais recente libertação decorreu na cidade de Yambio, no Sudoeste do país, onde as crianças tinham sido anteriormente associadas ao Movimento de Libertação Nacional do Sudão do Sul, que assinou um acordo de paz com o Governo em 2016.

Durante o processo, cada uma das crianças foi registada e recebeu uma declaração que validava a sua desvinculação do grupo. As crianças foram ainda assistidas por profissionais de saúde, assistentes sociais e especialistas em educação para diagnosticar as suas necessidades imediatas. Elas receberam ainda um pacote de reintegração, incluindo roupas, sapatos e outros artigos básicos. Tal como aconteceu com outros grupos, cada criança receberá apoio à reintegração durante três anos com o objectivo de facilitar o regresso à vida civil e impedir novo recrutamento. Para cada criança libertada e assistida, há uma criança vulnerável, e sua respectiva família da comunidade de acolhimento, que também são apoiados para promover a aceitação e uma reintegração mais sustentável.

“Este ano assinala-se o 30º aniversário da Convenção sobre os Direitos da Criança, que exige que os Governos assegurem as necessidades básicas das crianças e as ajudem a atingir seu pleno potencial”, afirmou Henrietta Fore. “Cinco meses após a assinatura de um acordo de paz, a UNICEF desafia todas as partes envolvidas no conflito do Sudão do Sul para que se comprometam novamente a defender esses direitos e garantir que as crianças nunca sejam soldados”.

A libertação coincidiu com o Dia Internacional contra a Utilização de Crianças Soldados. Embora os dados exatos sobre o número de crianças utilizadas e recrutadas em conflitos armados sejam difíceis de confirmar devido à natureza ilegal do recrutamento de crianças, a UNICEF estima que dezenas de milhares de meninos e meninas menores de 18 anos sejam usados em conflitos em todo o mundo. Muitos foram levados à força, enquanto outros se juntaram devido à pressão económica ou social. As crianças deslocadas ou que vivem na pobreza são ainda mais vulneráveis ao recrutamento. As crianças são recrutadas ou usadas para várias funções por forças armadas e grupos, incluindo combatentes, cozinheiros, portadores de armas, mensageiros e espiões, ou são sujeitos a exploração sexual.

Acerca da UNICEF 
UNICEF trabalha em alguns dos lugares mais difíceis do mundo, para chegar às crianças mais desfavorecidas. Presentes em 190 países e territórios, trabalhamos para todas as crianças, em qualquer parte, para construirmos um mundo melhor para todos.
A UNICEF é a única organização da ONU que não recebe qualquer financiamento das Nações Unidas, e depende inteiramente de contribuições voluntárias.

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