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Mais de 27 milhões de crianças em risco com inundações devastadoras estabelecem recordes em todo o mundo

SHARM EL SHEIKH, Egipto/GENEBRA/NOVA IORQUE

08 nov 2022

O número de crianças afectadas pelas inundações no Chade, Gâmbia, Paquistão e nordeste do Bangladesh foi o mais elevado em mais de 30 anos.

Na mesma altura em que a COP27 tem início no Egipto, a UNICEF alerta que este ano que as cheias avassaladoras afectaram pelo menos 27,7 milhões de crianças em 27 países em todo o mundo.

Uma grande maioria dos 27,7 milhões de crianças* afectadas pelas inundações em 2022 estão entre as mais vulneráveis e correm um risco elevado de ameaças simultâneas, incluindo morte por afogamento, surtos de doenças, falta de água potável, subnutrição, perturbações na aprendizagem e violência.

"Estamos a assistir este ano a níveis de inundações sem precedentes em todo o mundo, e com elas, a uma explosão de ameaças às crianças", disse Paloma Escudero, chefe da delegação da UNICEF na COP27. "A crise climática está aqui. Em muitos lugares, as cheias são as piores que se registaram numa geração, ou várias. As nossas crianças já estão a sofrer a uma escala que os seus pais nunca sofreram".

As consequências das inundações são muitas vezes mais mortíferas para as crianças do que os acontecimentos climáticos extremos que provocaram as mesmas. Em 2022, as inundações contribuíram para o aumento da propagação de grandes factores de mortalidade infantil, tais como a malnutrição, malária, cólera e diarreia:

  • No Paquistão, mais de 1 em cada 9 crianças menores de 5 anos admitidas em instalações de saúde em zonas afectadas pelas cheias de Sindh e Balochistan sofreram de subnutrição aguda grave.
  • No Chade, 465.030 hectares de terras agrícolas foram destruídos, agravando a já crítica situação de insegurança alimentar.
  • No Malawi, chuvas torrenciais e inundações causadas pela tempestade tropical Ana, em Janeiro de 2022, causaram danos extensivos aos sistemas de água e saneamento, o que criou as condições perfeitas para um surto de cólera. O surto ceifou a vida de 203 pessoas, das quais 28 eram crianças. Até à data, 1.631 crianças foram infectadas pela cólera.
  • Juntamente com outros choques climáticos e conflitos, as inundações fizeram com que o número previsto de crianças no Sudão do Sul que enfrentam elevados níveis de insegurança alimentar, ultrapassasse as taxas observadas durante o conflito em 2013 e 2016. Além disso, as Nações Unidas advertiram recentemente que algumas comunidades poderão enfrentar a fome se a assistência humanitária não for sustentada e as medidas de adaptação climática não forem escalonadas.

Para além da ameaça à vida de milhões de crianças, as águas das cheias perturbaram os serviços essenciais e deslocaram inúmeras famílias: 

  • As recentes inundações no Paquistão danificaram ou destruíram quase 27.000 edifícios escolares, forçando 2 milhões de crianças a faltar à escola.
  • No Sudão do Sul, 95 postos de nutrição apoiados pela UNICEF foram afectados pelas cheias, perturbando a prestação de serviços de prevenção de subnutrição e de cuidados básicos destinados a 92.000 crianças.
  • Estima-se que 840.000 crianças foram deslocadas pelas cheias na Nigéria nos últimos meses.
  • Chuvas fortes e inundações no Iémen provocaram inundações que danificaram instalações de acolhimento de deslocados internos. Cerca de 73.854 famílias foram afectadas, e 24.000 famílias foram deslocadas.

"A COP27 oferece a oportunidade de traçar um roteiro credível com marcos claros para o financiamento da adaptação climática e soluções para perdas e danos", disse Paloma Escudero. "Os jovens dos lugares mais afectados da Terra estão a afogar-se na inacção climática". Chega. Há vidas em jogo - as crianças precisam de acção agora".

Para além de pressionar os governos e as grandes empresas a reduzir rapidamente as emissões, a UNICEF insta os líderes a tomarem medidas imediatas para proteger as crianças da devastação do clima, adaptando os serviços sociais críticos de que elas dependem. Medidas de adaptação, como a criação de sistemas de água, saúde e educação resistentes às inundações e secas, irão salvar vidas.

No ano passado, os países desenvolvidos concordaram em duplicar o apoio à adaptação para 40 mil milhões de dólares por ano até 2025. Na COP27, devem apresentar um roteiro credível com marcos claros sobre a forma como isto será concretizado, como um passo para entregar pelo menos 300 mil milhões de dólares por ano para a adaptação até 2030. Pelo menos metade de todo o financiamento climático deverá fluir para a adaptação.

A UNICEF também exorta as partes a encontrar soluções para apoiar aqueles que irão enfrentar perdas e danos climáticos para além dos limites a que as comunidades se podem adaptar. A UNICEF apela aos governos para colmatar a lacuna financeira para enfrentar estas mudanças irreversíveis para as crianças.

NA COP27, A UNICEF APELA A TODAS AS PARTES PARA QUE:

  1. Revisitar os seus planos climáticos nacionais para reduzir drasticamente e urgentemente as emissões, a fim de evitar uma catástrofe climática.
  2. Assegurar uma acção clara sobre a adaptação que proteja todas as crianças dos impactos acelerados das alterações climáticas, através do Global Stocktake (inventário mundial) e do Global Goal on Adaptation (objectivo mundial sobre a adaptação).
  3. Avançar na educação para as alterações climáticas e participação significativa para preparar crianças e jovens através do Plano de Acção para a Capacitação Climática.
  4. Dar prioridade às crianças e jovens através da aceleração do investimento em serviços sociais resistentes ao clima que cheguem às crianças em maior risco, e desbloqueiem o progresso em matéria de perdas e danos.
  5. SE EMPENHEM. Empenhar-se na acção climática sensível às crianças, alinhando e operacionalizando a Declaração sobre Crianças, Jovens e Ação Climática.

A resposta humanitária imediata da UNICEF aos países afectados pelas cheias é ampla em todos os sectores: saúde, nutrição, água, saneamento e higiene (WASH), protecção infantil, e educação. A falta de financiamento, contudo, tem dificultado a resposta em muitos países. Por exemplo, a lacuna de financiamento para a resposta humanitária no Paquistão situa-se actualmente nos 85 por cento.

A UNICEF está a trabalhar para reforçar a resiliência das comunidades e das infra-estruturas sanitárias a fim de resistir aos riscos relacionados com catástrofes, e a interligar cada vez mais o seu trabalho de resposta humanitária e de adaptação climática a longo prazo.

 

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Notas:

* Para esta análise, que é a primeira do seu género, a UNICEF utilizou números oficiais recolhidos por agências governamentais de emergência ou pelo Gabinete de Coordenação dos Assuntos Humanitários das Nações Unidas (OCHA). Em alguns países encontravam-se disponíveis dados desagregados sobre as crianças afectadas pelas cheias. Em países sem dados desagregados, a UNICEF estimou o número de crianças afectadas pelas cheias através da extrapolação da percentagem de crianças na população nacional. 

Para mais informação, é favor contactar:
Vera Lança
press@unicef.pt  

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