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ciclone idai

Milhares de crianças precisam de assistência humanitária urgente depois das inundações provocadas pelo ciclone Idai

Moçambique, Malawi e Zimbabwe

LILONGWE/MAPUTO/HARARE/NAIROBI/NOVA IORQUE

17 mar 2019

Quase 850.000 pessoas - cerca de metade das quais são crianças - foram afectadas por inundações graves em Moçambique e no Malawi, com os números a aumentar à medida que o ciclone Idai se desloca para oeste e o impacto da tempestade se torna mais claro, advertiu a UNICEF.

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O ciclone tropical, que desencadeou chuvas fortes e ventos de 170 km/h, chegou ao porto da Beira, a quarta maior cidade de Moçambique, na noite de quinta-feira, deixando os 500.000 residentes sem energia e as linhas de comunicação inactivas. Em Moçambique, os números iniciais do governo estimam que 600.000 pessoas são afectadas, das quais 260.000 são crianças.

“Centenas de milhares de crianças viram as suas vidas totalmente devastadas pelas enchentes avassaladoras, e agora o ciclone Idai trouxe ainda mais sofrimento às famílias”, destacou Leila Pakkala, Directora Regional da UNICEF para a África Oriental e Meridional. “Muitas crianças perderam as suas casas, escolas, hospitais e até amigos e entes queridos. A UNICEF está no terreno a trabalhar em estreita coordenação com os respectivos governos e parceiros humanitários de três países para aumentar a nossa capacidade de resposta e fazer face às necessidades imediatas das crianças afretadas e das suas famílias.”

O ciclone atravessou Moçambique e passou para o Zimbabwe durante fim-de-semana. Estima-se que cerca de 1,6 milhões de pessoas vivem nas áreas que podem ser afectadas por ventos fortes e chuvas intensas.

Embora a extensão total do impacto do ciclone ainda não seja clara, é provável que inclua danos nas escolas e nos serviços de saúde e danos nas infra-estruturas de água e saneamento; dificulte ou impeça o acesso a água potável nas comunidades afectadas, implicando assim um risco elevado de doenças transmitidas na água; se reflicta na destruição de casas; e implique maiores riscos de protecção, particularmente para mulheres e crianças.

Desde o início de Março, as inundações causadas pelo sistema climático ciclone Idai já afectaram mais de um milhão de pessoas e causaram, pelo menos, 145 mortes.

No Malawi, mais de 922.900 pessoas foram afretadas em 14 distritos – dos quais se calcula que 460.000 sejam crianças. De acordo com dados do governo, estão oficialmente contabilizados 56 mortes e 577 feridos. O ciclone que se aproxima poderá dificultar a resposta humanitária, já que o acesso às comunidades vulneráveis é limitado e poderá ficar ainda mais agravado pelo aumento das águas das cheias. Com milhares de pessoas que se viram obrigadas a abandonar de suas casas inundadas, muitas famílias não têm mantimentos básicos, incluindo alimentos, água e saneamento. As inundações também interromperam o ciclo escolar de milhares de crianças.

No Zimbabwe, as primeiras estimativas de fontes governamentais no distrito de Chimanimani, em Manicaland, estimam que o número de vítimas do ciclone ronda aproximadamente 8.000 pessoas (1.600 casas), contabilizando-se 23 mortes e 71 pessoas estão dadas como desaparecidas. Há testemunhos não oficiais de crianças afectadas pelas inundações, deslizamentos de terra e queda de rochas em Chimanimani.

A UNICEF está a colaborar com parceiros para apoiar os governos dos países afectados a salvar vidas e a responder às necessidades das crianças e mulheres vítimas do ciclone e das inundações. A resposta incluirá serviços de saúde, com foco na resposta e prevenção da cólera; educação, para minimizar a interrupção dos serviços escolares e melhorar o acesso seguro às escolas; protecção, atendendo especialmente às necessidades de pessoas internamente deslocadas; água e saneamento, para garantir o acesso a água limpa e segura, o recurso a instalações de saneamento e a promoção de higiene e; nutrição, com foco na prevenção da mortalidade abaixo de cinco anos, atribuível à subnutrição.

Acerca da UNICEF 
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