A UNICEF Portugal alerta que uma em cada cinco crianças em todo o mundo continua sem acesso à escola, uma realidade que multiplica os riscos de pobreza, trabalho infantil, casamento precoce, ou até de recrutamento por grupos armados, deixando crianças em desvantagem desde os primeiros anos de vida.
Dados da UNICEF revelam que, atualmente, 262 milhões de crianças continuam fora da escola. Mesmo entre os que frequentam, a aprendizagem não está a resultar para demasiados: 387 milhões de crianças do ensino primário e 230 milhões de adolescentes não atingem os níveis mínimos de proficiência em leitura e matemática. Se nada mudar, ao ritmo atual, até 2030 cerca de 420 milhões de crianças não irão adquirir competências básicas durante a infância e 825 milhões de jovens não alcançarão os conhecimentos essenciais ao nível do ensino secundário.
A UNICEF Portugal apela, por isso, à mobilização da sociedade civil para apoiar o seu trabalho junto destas crianças e garantir que nenhuma fica privada do direito à educação. Cada contributo faz a diferença: permite construir escolas, fornecer materiais escolares e kits de aprendizagem, formar professores e fortalecer comunidades escolares, assegurando que todas as crianças adquiram as competências básicas de leitura, escrita e cálculo.
“A educação é a base de qualquer sociedade: sem ela não há desenvolvimento, nem igualdade, nem paz. Cada dia sem ação significa uma infância comprometida e um futuro coletivo enfraquecido. Garantir que todas as crianças aprendem a ler e a escrever é tão essencial quanto assegurar a sua alimentação e saúde”, afirma Beatriz Imperatori, Diretora Executiva da UNICEF Portugal.
“Hoje, 1 em cada 5 crianças continua fora da escola. E mesmo entre as que frequentam, demasiadas saem ainda sem saber ler, escrever ou calcular”, afirma Beatriz Imperatori, apelando para que “não olhemos para estes dados como números ou estatísticas distantes: cada uma destas crianças tem um nome e um futuro pela frente e, se não agirmos, a sua vida será condenada a ciclos de pobreza, exclusão e vulnerabilidade. A escola é muito mais do que um lugar para aprender. É um espaço de segurança, de alimentação, de vacinação, de esperança. Quando falha, abre-se um vazio perigoso, onde cresce a instabilidade e a desigualdade”, acrescenta.
A UNICEF atua em contextos de Educação em Emergências e através de programas regulares e estruturais, respondendo a crises imediatas e, em paralelo, reforçando os sistemas educativos a longo prazo. Só no último ano, assegurou o acesso à educação de 43,5 milhões de crianças em contextos de crise, distribuiu materiais escolares a 70 milhões de alunos e apoiou a formação de mais de 238 mil comités escolares comunitários. A organização desenvolve também iniciativas inovadoras, como o programa GIGA, que conecta escolas à internet em dezenas de países para combater a exclusão digital, e o programa Catch Up, que ajuda crianças a recuperar aprendizagens perdidas.”
O desafio, contudo, continua a ser imenso e a crise está a agravar-se. Segundo o estudo “Education Aid Cuts: A Broken Promise to Children”, publicado pela UNICEF em setembro de 2025, que analisa o impacto dos cortes globais no financiamento à educação, mais 6 milhões de crianças poderão ficar fora da escola até 2026, aumentando ainda mais o número já alarmante de crianças sem acesso à educação em todo o mundo.
Como ajudar?
A UNICEF Portugal apela ao apoio urgente dos portugueses para garantir que mais crianças possam frequentar a escola e beneficiar de uma aprendizagem de qualidade.
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