A UNICEF Portugal lança um apelo urgente à solidariedade da sociedade civil para apoiar as crianças e famílias afetadas pelo surto confirmado de Ébola na República Democrática do Congo (RDC) e no Uganda.
A situação de “Emergência de Saúde Pública de Âmbito Internacional”, declarada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), reflete a gravidade e o potencial de propagação deste surto, agravados pelo facto de a estirpe identificada, Bundibugyo, ser menos comum do que a estirpe Zaire do vírus Ébola. Atualmente, não existe qualquer vacina ou tratamento aprovado para esta estirpe do vírus, tornando a prevenção e a resposta rápida ainda mais críticas.
O contexto de segurança volátil, as limitações no acesso humanitário e a elevada mobilidade populacional aumentam significativamente o risco de transmissão rápida nas zonas afetadas e nos países vizinhos. As crianças estão entre os grupos mais vulneráveis, enfrentando interrupções nos serviços essenciais, afastamento de familiares e cuidadores, estigmatização, sofrimento psicossocial e um agravamento dos riscos de proteção.
Foram reportados 246 casos suspeitos e 80 mortes suspeitas na província de Ituri, no leste da RDC. Uganda confirmou igualmente dois casos, incluindo uma morte. As autoridades de saúde e parceiros humanitários estão a intensificar os esforços de resposta para conter a propagação da doença, reforçando simultaneamente a coordenação transfronteiriça e o envolvimento das comunidades.
Num trabalho de estreita colaboração com a organização Mundial de Saúde e o Africa CDC (Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças) no apoio às respostas lideradas pelos governos nacionais, a UNICEF já mobilizou cerca de 50 toneladas de materiais de prevenção e controlo de infeções para Bunia, incluindo desinfetantes, sabão, equipamentos de proteção individual, comprimidos de purificação de água e reservatórios de água. Está também iminente a chegada de uma equipa multidisciplinar de resposta rápida de emergência, para apoiar áreas prioritárias, nomeadamente ações de comunicação de risco e envolvimento comunitário. Mais de dois mil agentes comunitários de saúde encontram-se já no terreno, mas existe a necessidade urgente de recursos e capacidades adicionais para garantir uma resposta eficaz, especialmente nas zonas de difícil acesso.
Em resposta ao agravamento da situação, a UNICEF ativou a sua classificação máxima de emergência, acelerando a mobilização de financiamento, o destacamento de equipas de emergência e o reforço da coordenação operacional entre escritórios nacionais, regionais e sede.
“A rapidez da resposta será determinante para travar a propagação do vírus e proteger as crianças. Em contextos de elevada fragilidade, como os que se vivem atualmente no leste da RDC, os surtos de Ébola têm consequências devastadoras para as famílias e para os sistemas essenciais de saúde, proteção e educação. É fundamental garantir acesso humanitário seguro e sustentado às comunidades afetadas”, afirma Catarina da Ponte, responsável de Comunicação da UNICEF Portugal.
Ajude a UNICEF a ajudar
A UNICEF está a reforçar os seus meios de resposta de emergência para proteger crianças e famílias afetadas pelo surto de Ébola. A UNICEF Portugal apela à sociedade civil para que se junte a este esforço global, para garantir assistência vital às comunidades mais vulneráveis: