Passados dois anos a UNICEF Portugal lança novo apelo para reforçar a ajuda humanitária em Moçambique
LISBOA
11 mar 2021
“As Crianças de Moçambique precisam de si” é o mote do apelo que a UNICEF Portugal lançou esta semana e que tem como objectivo apoiar as crianças que precisam urgentemente de assistência humanitária
Depois do ciclone Idai ter atingido Moçambique, os últimos anos têm sido particularmente difíceis para o país. Ciclones, cheias, fome, pobreza extrema, conflitos armados e surtos de cólera deixaram grande parte da população moçambicana em estado de urgente necessidade de assistência humanitária.
No momento em que ainda recuperava dos ciclones Idai e Keneth (2019), Moçambique viu-se, este ano, novamente fustigado pelo ciclone Eloise que obrigou à deslocação de mais de 44.000 pessoas. As catástrofes naturais atingem áreas consideráveis do país com tempestades e cheias mais a norte e secas a sul. A destruição de infra-estruturas essenciais e a incapacidade de produção agrícola, são causas de uma pobreza sistémica e de fome, que agravam a situação já fragilizada da população.
A violência decorrente do conflito em Cabo Delgado, com relatos de assassinatos, mutilações, sequestros e violência sexual contra civis, incluindo crianças, veio juntar-se à grave situação humanitária do país. Nesta província assolada pela violência, o número de deslocados internos é já de cerca de 600.000 crianças e adultos. As suas condições de vida são extremamente duras - para além da violência e do deslocamento das suas terras e casas, vivem com acesso condicionado a água e saneamento. A juntar-se a estas condições, esta zona tem agora um surto de cólera que teve início em Dezembro passado e que em meados de Fevereiro já contabilizava quase 5.000 casos.
Esta é uma das grandes preocupações da UNICEF. Beatriz Imperatori, Directora Executiva da UNICEF Portugal, salienta que “o risco de agravamento do actual surto de cólera na província de Cabo Delgado, e outras províncias vizinhas, é muito elevado e é necessário agir rapidamente para conter este surto. Estamos já a planear uma campanha de vacinação contra a cólera e a realizar acções de sensibilização e formação, incluindo de sensibilização comunitária, distribuindo sabão, pastilhas para purificação de água e desinfecção das casas onde existam casos.”
Tendo como prioridade a protecção das crianças, a UNICEF está a liderar as intervenções de Protecção Infantil na resposta aos ciclones, assegurando um ambiente seguro para as crianças em áreas de acolhimento temporário; apoiando os esforços para identificar crianças não-acompanhadas e separadas e para a reunificação com as suas famílias e ainda actuando na prevenção da exploração e do abuso sexual.
Beatriz Imperatori, sublinha que “as nossas equipas estão no terreno a trabalhar diariamente junto das comunidades locais dando prioridade às necessidades mais urgentes, sobretudo das crianças.
O nosso objectivo imediato é apoiar as cerca de 250.000 pessoas, directamente afectadas pelo ciclone Eloise, que precisam de assistência humanitária urgente, fornecendo bens e serviços essenciais nas áreas da nutrição e cuidados básicos de saúde e tudo o que é necessário para a protecção das crianças. Também é necessário apoiar nestas mesmas vertentes as cerca de 600.000 pessoas deslocadas em Cabo Delgado, sendo a educação uma área prioritária. Este ano, foram destruídas 4.219 salas de aula pelos ciclones que atingiram o país, afectando mais de 300.000 alunos. Só o encerramento das escolas – decorrente da pandemia por Covid-19 – abrange 8,5 milhões de crianças. Estes são números muito preocupantes e realidades sobre as quais a UNICEF está a trabalhar assegurando a distribuição de ‘kits Escola’ e a criação de cerca de 400 espaços seguros de aprendizagem”, destaca a responsável da UNICEF.
O apelo lançado agora pela UNICEF Portugal tem como objectivo angariar fundos que permitirão às equipas da UNICEF continuar a apoiar local e diariamente estas crianças e as suas famílias.
Os números da urgência humanitária em Moçambique:
- 48% da população vive abaixo da linha de pobreza.
- Mais de 75% da população não tem acesso a instalações sanitárias melhoradas.
- 49% dos moçambicanos não tem acesso a água potável.
- 43% das crianças menores de cinco anos sofrem atrasos de desenvolvimento físico.
- Mais de 600.000 pessoas deslocadas em Cabo Delgado e mais 44.000 deslocados devido ao ciclone Eloise.
- 369 instalações de saúde e aprendizagem danificadas com o ciclone Eloise.
Para ajudar basta contribuir com um donativo no site da UNICEF Portugal.
OUTRAS FORMAS DE AJUDAR A UNICEF NA SUA RESPOSTA HUMANITÁRIA EM MOÇAMBIQUE:
| MBWay – 919 919 939
| Transferência | Depósito Bancários - IBAN PT50 0033 0000 5013 1901 2290 5
| Multibanco – Entidade 20 467; Referência 777 777 777
| Ser Solidário no Multibanco - Transferências - Ser Solidário- UNICEF
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Comité Português para a UNICEF, Av. António Augusto Aguiar, 21 -3E, 1069–115 Lisboa
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Para mais informação, é favor contactar:
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