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ciclone idai moçambique

Actualização da situação em Moçambique

23 Março

LISBOA

23 mar 2019

1 milhão de crianças afectadas pelo ciclone Idai e subsequentes inundações. Estima-se que os números reais sejam muito superiores.

A Directora Executiva da UNICEF encerra visita à zona afectada da Beira, uma semana após o ciclone.

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“Estamos numa corrida contra o tempo para ajudar e proteger as crianças nas áreas devastadas de Moçambique”, foi o alerta deixado pela Directora Executiva da UNICEF, Henrietta Fore, no final de uma visita à Beira, uma das áreas mais afectadas pelo ciclone Idai.

De acordo com estimativas iniciais do governo, 1,8 milhões de pessoas em todo o país, incluindo 900 mil crianças, foram afetadas pelo ciclone que atingiu o país na semana passada. No entanto, muitas áreas ainda não são acessíveis e a UNICEF e os seus parceiros no terreno sabem que os números finais serão muito mais elevados.

"A situação vai piorar antes de melhorar", referiu Henrietta Fore. “As agências de ajuda humanitária ainda mal conseguem medir a dimensão dos danos causados. Aldeias inteiras ficaram submersas, prédios destruídos e escolas e centros de saúde ficaram inoperacionais. Embora as operações de busca e salvamento continuem, é fundamental que tomemos todas as medidas necessárias para evitar a disseminação de doenças transmitidas pela água, o que pode transformar este desastre numa catástrofe ainda maior”.

A UNICEF está preocupada com o facto de as inundações, aliadas às condições de sobrelotação nos abrigos, a falta de higiene, as águas estagnadas e as fontes de água infectadas, criarem as condições para uma rápida propagação de doenças como a cólera, a malária e a diarreia.

As avaliações iniciais na Beira indicam que mais de 2.600 salas de aula foram destruídas e 39 centros de saúde sofreram graves danos. Pelo menos 11.000 casas foram totalmente destruídas. "Esta situação terá sérias consequências na educação das crianças, no acesso aos serviços de saúde e no bem-estar mental das populações", alertou Henrietta Fore.

Na Beira, Henrietta Fore visitou uma escola que se transformou num abrigo para famílias deslocadas. As salas de aula foram convertidas em quartos sobrelotados, com acesso limitado a água e saneamento.

"Estamos particularmente preocupados com a segurança e o bem-estar de mulheres e crianças que ainda estão a espera para serem resgatadas ou estão amontoadas em abrigos temporários, correndo risco de violência e abuso", alertou a Directora Executiva da UNICEF. "Também estamos preocupados com as crianças que ficaram órfãs devido ao ciclone ou que se perderam dos seus pais, no caos que se seguiu".

"Para as crianças afetadas pelo ciclone Idai, o caminho para a recuperação será longo", alertou Fore. “Eles precisarão de recuperar o acesso à saúde, educação, água e saneamento. E necessitarão igualmente de recuperar do profundo trauma que acabaram de viver. Equipas da UNICEF estão no terreno, nos três países, a ajudar as crianças a aprender, a brincar e a ultrapassar estes traumas, mas os nossos recursos estão sobrecarregados. Temos identificada uma necessidade inicial de 30.000.000 USD para fazer face a um primeiro momento da resposta e apelamos a que nossos doadores, públicos e privados, continuem a ser generosos com estes milhares de crianças e famílias que precisam do nosso apoio”.

Henrietta Fore também visitou um armazém da UNICEF que ficou severamente danificado pelo ciclone, causando a perda de apoios essenciais que estavam pré-posicionados para situações de emergência, antes da chegada do ciclone Idai.

 

Imagens da visita disponíveis aqui  

 

Informação adicional e materiais multimedia disponíveis aqui. 

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