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3,7 milhões de crianças síria afetadas pelos sismos enfrentam uma combinação catastrófica de ameaças, adverte a Diretora Executiva da UNICEF, após uma visita de dois dias à Síria

DAMASCO

02 mar 2023

3,7 milhões de crianças na Síria que sobreviveram aos fortes sismos que atingiram o sul de Turquia e o norte da Síria a 6 de Fevereiro enfrentam várias ameaças crescentes e potencialmente catastróficas, advertiu hoje a Diretora Executiva da UNICEF Catherine Russell, no final de uma visita de dois dias a este último país.

O impacto emocional e psicológico que os sismos têm nas crianças, uma ameaça crescente de doenças contagiosas, transmitidas por contato direto e pela água entre famílias deslocadas, e a falta de acesso a serviços básicos para as famílias já vulnerabilizadas por quase 12 anos de conflito, correm o risco de originar catástrofes contínuas e agravadas para as crianças afetadas.

"As crianças da Síria já sofreram horrores e desgostos indescritíveis," disse Catherine Russell. "Agora, estes sismos e as réplicas não só destruíram mais casas, escolas e lugares onde as crianças brincavam, como também abalaram a sensação de segurança para tantas das crianças e famílias mais vulneráveis.”

Em Alepo, a Diretora Executiva da UNICEF encontrou-se com crianças num espaço de aprendizagem temporário, onde mais de 250 crianças que vivem num abrigo coletivo podem ter acesso a educação, serviços de saúde e recreação.

Numa mesquita em Al Masharqa, Catherine Russell falou com Esraa, uma mãe de duas raparigas e cujo marido desapareceu durante o conflito. Ela cria agora as suas filhas de dez e onze anos sozinha. Esraa é uma de milhares de pessoas que perderam a sua casa devido aos sismos. Ela e as filhas passaram duas noites ao frio e à chuva antes de encontrarem abrigo na mesquita. Estão agora a receber assistência em dinheiro da UNICEF. "Durante o segundo sismo que ocorreu há uma semana atrás, a minha filha desmaiou devido ao medo e estresse,” contou Esraa a Catherine Russell. Uma das raparigas, Jana, afirmou querer apenas uma cama e um lar, quando lhe perguntaram o que desejava.

Catherine Russell visitou também uma estação hídrica apoiada pela UNICEF que fornece água segura a cerca de dois terços dos bairros da cidade de Alepo. Com um maior número de famílias actualmente deslocadas e a viver em abrigos temporários com poucas condições, proporcionar acesso contínuo a água segura e saneamento é fundamental para prevenir surtos de doenças como a sarna, piolhos, cólera e diarreia aguada.

No noroeste da Síria, a UNICEF já chegou a mais de 400.000 pessoas afetadas pelos sismos com artigos de nutrição, e água, saneamento e higiene.  Antes do sismo, a UNICEF tinha reservas humanitárias críticas preposicionadas na região, que começaram a chegar às crianças e famílias nas primeiras 48 horas após primeiro sismo. Até agora, a UNICEF enviou camiões com material humanitário destinado a apoiar mais de 1,8 milhões de pessoas nas comunidades no noroeste da Síria.

"Não basta simplesmente proporcionar alívio imediato - temos de nos comprometer a apoiar estas famílias a longo prazo, ajudando-as a recuperar a sensação de estabilidade e a esperança," afirmou Catherine Russell. "Ao proporcionarmos acesso a serviços essenciais, como água potável, cuidados de saúde e apoio psicossocial, podemos ajudar as crianças e famílias a sarar das terríveis experiências que sofreram para que possam começar a reconstruir as suas vidas."

Na Síria, a UNICEF precisa de US$172,7 milhões para prestar apoio imediato vital a 5,4 milhões de pessoas, incluindo 2,6 milhões de crianças, afetadas pelo sismo. A assistência será prestada em zonas de elevado impacto recorrendo a todas as modalidades possíveis, tanto na Síria, como através de operações transfronteiriças na Turquia. É fundamental que o apoio seja flexível para que a UNICEF e os seus parceiros respondam com base nas necessidades e em qualquer lugar onde as crianças tenham sido afetadas.

Relativamente à Turquia, a UNICEF lançou um apelo de US$196 milhões para chegar 3 milhões de pessoas, incluindo 1,5 milhões de crianças, com artigos críticos, nomeadamente água e saneamento, e artigos de higiene; de saúde e nutrição; de proteção infantil; de educação; e apoio humanitário em dinheiro destinado a ajudar crianças vulneráveis crianças vulneráveis.

 

 

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