A UNICEF pede que seja implementada uma agenda de seis pontos para manter as crianças refugiadas e migrantes a salvo ao longo da rota do Mediterrâneo central

As crianças e as mulheres refugiadas e migrantes são sistematicamente vítimas de violência sexual, exploração, abuso e detenção ao longo da rota migratória a partir do Norte de África para Itália, alerta a UNICEF no seu novo relatório ‘Child Alert’ “A Deadly Journey for Children: The Central Mediterranean Migrant Route” (Uma jornada fatal para as crianças: a rota migratória do Mediterrâneo central).

A publicação faz uma análise detalhada sobre os enormes riscos que as crianças refugiadas e migrantes enfrentam quando fazem a perigosa viagem da África subsariana através da Líbia e por mar até Itália. Três quartos das crianças refugiadas e migrantes entrevistadas no âmbito de um inquérito relataram ter sido vítimas de violência, assédio ou agressão às mãos de adultos em algum ponto da viagem, e cerca de metade das mulheres e crianças entrevistadas reportaram abusos sexuais durante o percurso – na maior parte dos casos várias vezes e em vários locais.

No ano passado, pelo menos 4.579 pessoas morreram quando tentavam atravessar o Mediterrâneo a partir da Líbia, ou seja, 1 em cada 40 pessoas que tentaram a travessia. Estima-se que pelo menos 700 dos que perderam a vida eram crianças.

A UNICEF desenvolveu uma agenda para a acção composta por seis pontos para as crianças desenraizadas, nomeadamente:

1. Proteger as crianças refugiadas e migrantes da exploração e da violência, em especial as crianças não acompanhadas;

2. Acabar com a detenção de crianças requerentes do estatuto de refugiadas ou migrantes através da introdução de uma série de alternativas de carácter prático;

3. Manter as famílias juntas como a melhor forma de proteger as crianças e de lhes atribuir um estatuto legal;

4. Manter a aprendizagem de todas as crianças refugiadas e migrantes e assegurar-lhes acesso a serviços de saúde e outros de qualidade;

5. Pressionar para que sejam tomadas medidas destinadas a combater as causas subjacentes aos movimentos de refugiados e migrantes em larga escala;

6. Promover medidas para combater a xenofobia, a discriminação e a marginalização em países de trânsito ou de destino.


O que está a UNICEF a fazer?
Desde o início da resposta em finais de 2015, a UNICEF tem vindo a prestar apoio às crianças em movimento, retidas ou requerentes de asilo na Europa. Esta resposta inclui a prestação de uma série de serviços a 182.500 crianças. A agência para as crianças está também a alargar o seu programa na Grécia e Itália, apoiando o trabalho dos governos para melhorar a reunificação e os serviços de protecção infantil. Apesar da situação difícil na Líbia, a UNICEF juntamente com vários parceiros continua a trabalhar para responder às necessidades de protecção e humanitárias das crianças mais vulneráveis no país, nomeadamente as crianças refugiadas e migrantes que estão em diversas localidades com as quais a UNICEF assinou um memorando de cooperação em Abril de 2015.



Child Alert - A Deadly Journey for Children:
The Central Mediterranean Migrant Route






Crianças refugiadas e migrantes:
uma agenda para a acção – Saiba mais aqui